Por Claudevan Melo*
O Hino oficial do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) nasceu da parceria entre o maestro penedense Edson da Silva Porto e o então governador de Alagoas, Silvestre Péricles de Góes Monteiro. Edson, compositor da música, nasceu em Penedo (AL), em 6 de janeiro de 1922, e encerrou sua trajetória na cidade onde nasceu, em 9 de novembro de 1968, aos 46 anos. Era filho de Hortêncio Quintino dos Santos e Maria Luiza da Silva Porto.
Edson da Silva Porto viveu a infância no antigo bairro industrial de Penedo, marcado pela presença da Fábrica de Tecidos Penedense, fundada em 1895. Foi nesse cenário que começou a construir sua relação com a música e com a cidade que o acompanharia por toda a vida. Anos mais tarde, seu talento musical se encontraria com a política na criação do Hino do Partido Trabalhista Brasileiro: Edson compôs a música, enquanto a letra ficou a cargo do então governador de Alagoas, Silvestre Péricles de Góes Monteiro (1896-1972).
Grande incentivador da música em Penedo, Edson da Silva Porto fez da arte também um caminho de formação. Foi o primeiro maestro da banda da Sociedade Musical Penedense e dedicou-se ao ensino da música, ajudando a cultivar entre os jovens da cidade o gosto e o conhecimento musical. A entidade foi fundada em 16 de setembro de 1944.
Sua entrada na atividade política aconteceu sob a influência do irmão, Bernardino Fausto, líder sindical na Fábrica de Tecidos Penedense. A música, por sua vez, teve como uma de suas principais influências o maestro Júlio Catarina. Edson destacou-se como trompetista, trombonista e pianista, transitando entre instrumentos e diferentes possibilidades de expressão musical.
Com a fundação da Sociedade Musical Penedense, em 16 de julho de 1944, assumiu também o comando da pioneira banda da entidade. Mais tarde, liderou a Orquestra de Câmara Concertista Carlos Gomes, cujo primeiro recital ocorreu no Teatro Sete de Setembro, em Penedo.
Compositor e professor, Edson transformou o próprio sobrado onde morava, na Rua 7 de Setembro, nº 119, em espaço de ensino musical. Ali funcionou uma escola de música onde se formaram instrumentistas como Luiz Carlos, o Luisão, e Elísio Ramos, o Tininho, entre muitos outros.
Na política, sua trajetória acabaria marcada por um rompimento. Depois de um entrevero político com o governador Silvestre Péricles de Góes Monteiro, de quem era aliado e amigo, Edson abandonou a atividade política em Alagoas e foi morar em Salvador (BA), onde passou a viver seu autoexílio.
Edson também buscou aperfeiçoar seus conhecimentos musicais. Durante esse período, estudou no Educandário Carlos Gomes, na cidade de São Paulo, onde passou a morar. Quando tudo parecia transcorrer bem, uma enfermidade fez com que retornasse a Penedo, levando consigo seu acervo de partituras, livros, diários, fotografias e outros documentos.
A trajetória musical de Edson da Silva Porto deixou ainda um conjunto de composições que atravessa valsas, foxes e dobrados, além do Hino do Partido Trabalhista Brasileiro.
Entre suas obras estão:
- Joaquim Barreiros Reis — valsa;
- Francisca Reis Gonçalves — valsa;
- Penedo — fox;
- Moacir Porto — dobrado;
- Ezequiel Rocha — dobrado;
- São Benedito — dobrado;
- Aracy Carvalho Porto — valsa;
- Ednirse Carvalho Porto — valsa;
- Hino do Partido Trabalhista Brasileiro.
As partituras dessas obras encontram-se em meu acervo.
*Pesquisador, colecionador e escritor







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