Especialistas do Painel Científico Internacional sobre Inteligência Artificial, ligado à ONU, defenderam mais cautela nas discussões sobre os riscos da tecnologia. Para os pesquisadores, é necessário diferenciar evidências científicas de hipóteses e projeções sobre o futuro da IA.
A discussão ocorreu na última segunda-feira (22), em Nova York, durante um evento paralelo à Assembleia Geral da ONU. O grupo reconheceu que existem riscos graves associados à inteligência artificial, mas ressaltou que ainda há divergências entre especialistas sobre a dimensão e a probabilidade de alguns cenários extremos.
Joelle Barral, executiva do Google DeepMind e integrante do painel, afirmou que o debate precisa ser baseado no conhecimento disponível.
“Como cientistas, é muito importante investir na ciência, para realmente distinguir o que sabemos do que não sabemos, e investir no medo não ajuda muito.”
A discussão ganhou força após declarações recentes de ex-funcionários de empresas de tecnologia que alertaram para a possibilidade de a IA representar uma ameaça à existência humana nas próximas décadas.
A jornalista e vencedora do Nobel da Paz Maria Ressa também criticou abordagens simplificadas sobre o tema. “A verdade, porém, é muito mais complexa e sofisticada”, afirmou.
Um dos copresidentes do painel, Yoshua Bengio, considerado um dos pioneiros da inteligência artificial, destacou que algumas previsões são baseadas em extrapolações a partir das evidências disponíveis. Para ele, declarações categóricas podem prejudicar a discussão.
“O problema de gritar muito alto é que outra pessoa também pode gritar muito alto.”
Bengio defendeu uma discussão internacional que considere tanto a gravidade dos riscos quanto as incertezas existentes. “Uma discussão racional global sobre o que está acontecendo, inclusive sobre a incerteza e sobre a gravidade dos riscos”, afirmou.
Criado em 2025, o Painel Científico Internacional sobre IA reúne pesquisadores para ampliar o conhecimento sobre os impactos da tecnologia e contribuir com as discussões internacionais conduzidas pela ONU.







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