Um artigo publicado nesta quarta-feira (30) pelo jornalista Vladimir Barros, na Tribuna do Sertão, questiona a concentração de candidaturas dentro do grupo familiar do prefeito de Maceió, JHC, e aborda a relação do político com veículos de comunicação e jornalistas que fazem críticas à sua atuação.
Sob o título Poder para os seus familiares, processos para os críticos: o personalismo de JHC, Barros utiliza como ponto de partida uma fotografia recente de JHC, registrada de costas e próximo a um púlpito. A imagem é comparada pelo autor a uma conhecida fotografia do ex-presidente Jânio Quadros, feita em 1961 pelo fotógrafo Erno Schneider.
A partir da referência histórica, o jornalista estabelece uma discussão sobre diferentes formas de exercício do poder. Ele relembra que Jânio Quadros renunciou à Presidência em agosto de 1961, menos de sete meses depois de assumir o cargo. Segundo a interpretação histórica citada no artigo, a renúncia teria sido utilizada como estratégia para provocar pressão pela sua volta ao cargo em condições políticas mais favoráveis. O Congresso, contudo, aceitou a renúncia, dando início a uma crise institucional que antecedeu o golpe de 1964.
O texto transporta a discussão para o cenário político alagoano de 2026. JHC disputa o Governo de Alagoas, enquanto sua esposa, Marina Cândia, concorre ao Senado. A mãe do candidato, Eudócia Caldas, aparece como primeira suplente da candidatura da própria nora.
Para Vladimir Barros, a composição das candidaturas dentro do mesmo núcleo familiar abre espaço para um debate sobre concentração de influência política. O autor ressalta que o vínculo familiar não torna uma candidatura irregular, mas argumenta que a reunião de diferentes posições eleitorais relevantes pode reduzir a diversidade de grupos envolvidos na disputa política.
Outro ponto abordado pelo artigo é a relação entre JHC e setores da imprensa. Segundo levantamento mencionado por Barros, mais de 200 ações judiciais teriam sido movidas contra jornalistas e veículos de comunicação por JHC e grupos políticos ligados à sua candidatura. Os profissionais atingidos, conforme o texto, classificam a quantidade de processos como uma forma de “assédio judicial”.
O artigo destaca que o recurso à Justiça é um direito de qualquer cidadão, mas sustenta que o volume de ações pode gerar custos financeiros e operacionais para empresas jornalísticas e profissionais de imprensa. Na avaliação apresentada pelo autor, esse cenário também pode produzir um efeito de intimidação sobre a cobertura crítica.
A liberdade de imprensa aparece, assim, como um dos principais eixos da argumentação. O texto defende que agentes públicos e candidatos precisam conviver com questionamentos, reportagens desfavoráveis e opiniões divergentes, especialmente em períodos eleitorais.
Ao final, Vladimir Barros ressalta que Jânio Quadros e JHC pertencem a contextos históricos distintos e que a comparação entre os dois se limita à referência visual e à discussão sobre concentração de poder. O artigo conclui relacionando a disputa eleitoral em Alagoas à necessidade de preservar a pluralidade política e o espaço para a crítica e para a imprensa.







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