Por Geraldo de Majella*
Os comentários sobre o debate realizado pela TV Asa Branca, afiliada da Rede Globo em Alagoas, na noite desta terça-feira, 29, entre os candidatos ao governo de Alagoas, Renan Filho (MDB) e JHC (PSDB), nas redes sociais, dão conta de mais um massacre aplicado pelo candidato emedebista.
A expectativa criada em torno do debate era de que JHC se apresentasse com desenvoltura e, principalmente, com um elenco de propostas digno de um candidato a governador de Alagoas.
O que se viu, porém, foi outra coisa.
Há em JHC uma paura que parece dominá-lo e paralisá-lo: a de ser confrontado ao vivo pelo adversário, que está em alta velocidade na política e na administração pública, depois de ter governado Alagoas por dois mandatos consecutivos e de ter sido ministro dos Transportes no governo do presidente Lula.
JHC tem perfeita consciência do que isso representa em um debate. Teria a obrigação de apresentar um nível de conhecimento sobre o Estado de Alagoas capaz não apenas de contrapor o adversário, mas de convencer os telespectadores de que domina os dez ou quinze temas centrais da administração estadual.
A decepção foi ainda maior quando se compara sua participação na Asa Branca com o primeiro debate, realizado pela TV Gazeta. Os dois confrontos deixaram, na minha avaliação, uma impressão de despreparo intelectual, emocional e político.
Renan Filho deu algumas voadoras que deixaram JHC em situação bastante desconfortável. E não foi apenas porque estava nervoso. O problema maior foi a dificuldade de demonstrar conhecimento, ainda que mínimo, sobre os assuntos que estavam sendo discutidos. Em determinados momentos, faltou até mesmo apresentar com segurança aquilo que ele próprio colocou no programa de governo entregue à Justiça Eleitoral por ocasião do registro da candidatura.
É uma situação difícil para quem pretende governar o Estado.
Se um debate pudesse ser comparado a uma luta de boxe, JHC enfrentou simbolicamente o pugilista Mike Tyson no auge da carreira. No primeiro debate, realizado pela TV Gazeta, apresentou-se trêmulo e com o raciocínio desconexo, perdendo em praticamente todos os quesitos. No segundo, realizado pela TV Asa Branca, a luta tomou outro rumo, com Renan Filho desferindo uma sequência de jabs — golpes rápidos e retos, aplicados com a mão da frente para medir a distância e preparar os golpes seguintes.
Era uma luta de 15 rounds.
No terceiro, JHC beijou a lona.
E essa é a comparação que faço dos dois debates entre Renan Filho e JHC: de um lado, um candidato que conhece a máquina pública, domina os temas que escolhe para o confronto e sabe explorar as dificuldades do adversário; do outro, um candidato que, até aqui, não conseguiu demonstrar no debate o domínio que se espera de quem pretende governar Alagoas.
O eleitor, naturalmente, fará sua própria avaliação.
Os dois debates deixaram, na minha avaliação, uma conclusão clara: JHC não demonstrou estar preparado para governar Alagoas.
*Jornalista e historiador







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