
O comando do Corpo de Bombeiros Militar de Alagoas (CBMAL) abriu, nesta segunda-feira (21), processo administrativo disciplinar contra a sargento Stephany da Silva Domingos. O que motivou a abertura desse procedimento foi uma suposta manifestação política da sargento.
É conhecida a predileção de boa parte dos oficiais que são bolsonaristas ou aliados e que não fazem reserva das suas posições político-ideológicas. O espírito de autodefesa é explícito; os oficiais têm se manifestado eleitoralmente em diversas eleições e nas últimas as suas redes sociais exibem postagens as mais diversas.
O comandante do Corpo de Bombeiros Militar, coronel André Madeiro, mantém em sua página no Instagram várias postagens onde declara apoio às candidaturas do ex-procurador Alfredo Gaspar, do governador Renan Filho e do presidente Bolsonaro. O coronel nunca foi molestado com representação no Conselho de Segurança Pública ou no Estado Maior da corporação.
A sargento Stephany da Silva é a bola da vez; antes foi a vez da tenente-coronel Camila Paiva. A sargento, no momento em que estava sendo vacinada, declarou: “Em terra de negacionismo, tomar vacina e enaltecer o SUS é um ato de revolução”. Por que essa fala pode ser tomada como uma manifestação política, desrespeitosa ou a quebra da disciplina militar?

O “argumento” utilizado para abrir o processo é que a sargento “teria gravado um vídeo dentro de estabelecimento militar, o que seria considerado uma transgressão grave”. É o que afirma o coronel André Alessandro Madeiro de Oliveira, comandante-geral do Corpo de Bombeiros.
A influência do bolsonarismo nas polícias no país é um fato e cada vez mais esses sintomas de anormalidade se apresentam com um tacão na mão para punir quem pensa diferente. O governador Renan Filho, comandante em chefe da Polícia, não pode ficar silencioso diante da subversão que ganha forma e força nas corporações militares.
Os militares têm na sua formação dois pilares centrais: a disciplina e a hierarquia. Esses dois pilares vêm sendo solapados. Os últimos arreganhos punitivos dos bolsonaristas podem ser entendidos como um meio de “ir passando a boiada”.
Não será surpresa se outros atos de afronta à Constituição e aos direitos individuais forem reprimidos com o tacão do Estatuto Militar, que só é usado para punir os praças e sargentos, na maioria das vezes.
A cerca está sendo arrombada pelo bolsonarismo no seu principal domínio: a polícia militar. Manter a atenção e denunciar os atos arbitrários é vital para que os direitos individuais sejam respeitados e as mulheres não sejam as vítimas preferenciais dos militares machistas e misóginos.
Somos todos, Stephany.
Somos todos, Camila Paiva







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