
Bolsonaristas agrediram jornalistas, em manifestação, em Brasília Foto: Agência Globo
Cresce a lista de autoridades que condenam as agressões sofridas por jornalistas em manifestação em defesa do presidente Jair Bolsonaro, fato registrado neste domingo, 3, em Brasília. Entre os que já repudiaram a ação de bolsonaristas estão os ministros Alexandre de Moraes e Cármem Lúcia, do Supremo Tribunal Federal (STF), o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Felipe Santa Cruz.
Enquanto Cármen Lúcia defendeu a liberdade de imprensa, Rodrigo Maia lembrou a agressão sofrida por enfermeiros que encontraram apoiadores de Bolsonaro em protesto no último dia 1º de maio.
“Ontem enfermeiras ameaçadas. Hoje jornalistas agredidos. Amanhã qualquer um que se opõe à visão de mundo deles. Cabe às instituições democráticas impor a ordem legal a esse grupo que confunde fazer política com tocar o terror”, escreveu o presidente da Câmara.
Apoiadores de Bolsonaro agrediram jornalistas durante manifestação a favor do presidente e contra Moro, Maia e o STF, em frente ao Palácio do Planalto, em Brasília. Um repórter fotográfico do Estado de São Paulo foi derrubado duas vezes, foi chutado e levou murros na barriga. Um motorista do jornal levou uma rasteira. A ministra do STF Cármen Lúcia repudiou os ataques:
– Lamento a informação de ter havido agressão a jornalistas em um dia tão significativo para imprensa como hoje. É inaceitável, inexplicável, que ainda tenhamos cidadãos que não entenderam que o papel do profissional de imprensa é o que garante a cada um de nós poder ser livre. Estamos, portanto, quando falamos da liberdade de expressão e de imprensa, no campo das liberdades, sem a qual não há respeito à dignidade – disse Cármen Lúcia.
Em 1993, decisão da Assembleia Geral das Nações Unidas criou o Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, celebrado em 3 de maio. Cármen Lúcia participa de debate sobre “Pandemia e o papel essencial da imprensa”, promovido pelo Instituto Brasiliense de Direito Público (IDP).
Cármen Lúcia disse que, quando um jornalista é agredido, a “cidadania” 1é:
– Não há dignidade na ausência de liberdade. E não há como exercer a liberdade sem ser informado sobre aquilo que se passa a nossa volta. A ministra do STF também disse que “só quer o silêncio quem não quer a democracia”.
– Quem gosta de ditadura gosta de silêncio. A democracia é plural, é barulhenta. Traz ruídos que a pluralidade enseja. Cada um tem direito de pensar livremente e a expressar suas opiniões livremente, e a capacidade crítica de uma sociedade depende das informações que a imprensa oferece.
O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Felipe Santa Cruz, divulgou nota: “Os limites que existem são os da Constituição, e valem para todos, inclusive e sobretudo para o presidente. A única paciência que chegou ao fim, legitimamente e com razão, é a paciência da sociedade com um governante que negligencia suas obrigações, incita o caos e a desordem, em meio a uma crise sanitária e econômica”.
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, condenou as agressões contra profissionais da Globo, Estado e Folha de S.Paulo que acompanhavam a “carreata da morte” realizada neste domingo.
As agressões contra jornalistas devem ser repudiadas pela covardia do ato e pelo ferimento à Democracia e ao Estado de Direito, não podendo ser toleradas pelas Instituições e pela Sociedade”, escreveu o ministro.
Com O Globo e Brasil247






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