Por Geraldo de Majella*
A cena cultural alagoana teve motivos para celebrar em março com a realização de dois acontecimentos que reafirmam o vigor da produção literária no estado: o 1º Encontro Alagoano de Gracilianistas, em Palmeira dos Índios, e o lançamento da Editora Matriz, em Maceió. Ambos os eventos marcaram o mês com iniciativas que valorizam a memória, a identidade e estimulam a formação de novos leitores.
Realizado entre os dias 19 e 21 de março, no auditório da Faculdade CESMAC do Sertão, o Encontro Alagoano de Gracilianistas reuniu estudiosos, leitores e admiradores da obra de Graciliano Ramos — um dos maiores nomes da literatura brasileira e da língua portuguesa. A programação incluiu debates, palestras e atividades culturais voltadas à vida e à produção do autor de Vidas Secas. Entre os convidados estavam nomes reconhecidos como Xico Sá, Ana Claudia Aymoré Martins, Ênio Lins, Douglas Apratto Tenório, Chico de Assis, Cida Pedrosa e Sidney Wanderley.
Idealizado e organizado pelo professor e pesquisador Cosme Rogério Ferreira, o evento foi viabilizado com recursos da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), do Governo Federal, por meio do Ministério da Cultura (MinC), com execução do Governo de Alagoas, por meio da Secretaria de Estado da Cultura e Economia Criativa (Secult). A qualidade da programação e a participação do público indicam que o encontro deve ganhar novas edições, fortalecendo a presença de Graciliano em sua terra natal e formando novas gerações de leitores.
Enquanto isso, em Maceió, um novo projeto editorial voltado à infância e à cultura local foi apresentado com entusiasmo: a Editora Matriz. Com sede na capital, a editora nasce com a proposta de publicar livros voltados para à literatura infantil e à difusão da cultura alagoana. Em seu lançamento, promoveu uma verdadeira celebração da literatura com 25 títulos apresentados ao público, reunindo 21 autores e nove ilustradores — uma iniciativa que pode ser considerada uma “mini bienal do livro alagoano”.
A estreia da Editora Matriz é impactante tanto do ponto de vista literário quanto empresarial. Não há registro de que uma editora alagoana tenha lançado, em um único evento, tantos livros de forma simultânea. Esse, entre outros feitos, merece ser louvado e apoiado.
Responsáveis pela iniciativa, a publisher e jornalista Patrycia Monteiro Rizzotto, o executivo Henrique Ferrari e o designer gráfico Fernando Rizzotto somam experiência no setor editorial e apostam na valorização da cultura regional como ferramenta de formação e pertencimento desde a infância.
Do sertão à capital, os dois eventos apontam caminhos convergentes: celebrar o passado com profundidade crítica e lançar sementes para o futuro por meio da literatura. São ações que reforçam o papel essencial da cultura como motor da identidade, da cidadania e do desenvolvimento social em Alagoas.
Vida longa à Editora Matriz.
(*) É historiador e jornalista







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