Sete anos após a maior tragédia urbana provocada por atividade de mineração gananciosa no Brasil, Maceió segue soterrada por promessas não cumpridas, acordos obscuros e milhares de vidas devastadas. O então candidato à prefeitura, João Henrique Caldas (JHC), que em 2020 percorreu os bairros afundados pela mineração criminosa da Braskem — Pinheiro, Mutange, Bebedouro, Bom Parto e Farol — com discursos inflamados de justiça, hoje se nega até mesmo a dialogar com as vítimas.
Durante a campanha eleitoral, JHC declarou compromisso total com empresários e moradores afetados: “Vamos cobrar da Braskem toda a indenização devida… os incentivos que a prefeitura deu à empresa (Braskem) serão revertidos para o povo.” Em poucos meses de gestão, no entanto, o tom mudou. Ao invés de enfrentar a Braskem, o prefeito passou a manter relações sigilosas com a cúpula da mineradora — que culminaram em um acordo selado sem transparência e que rendeu R$ 1,7 bilhão à prefeitura, recursos que não foram destinados à recuperação das regiões devastada, tampouco ao amparo dos mais de 60 mil atingidos diretos.
Pior: os órgãos que deveriam proteger os interesses coletivos — Ministério Público Federal, Ministério Público Estadual e Defensoria Pública da União — atuaram como avalistas de um acordo que blindou a Braskem, a prefeitura e seus gestores de qualquer responsabilização direta. As vítimas, mais uma vez, ficaram com o silêncio.
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Os moradores da comunidade dos Flexais, uma área isolada no Bebedouro, publicaram recentemente em sua página do Instagram um vídeo devastador. Nele, escancaram a principal mentira de JHC: a de que os atingidos seriam colocados em “pé de igualdade” com a empresa. Hoje, vivem abandonados, à margem de indenizações, assistência médica e apoio psicológico — num cenário tão desolador que já somam mais de 16 suicídios noticiados entre os impactados diretos da tragédia.
Acordos no escuro, silêncio como política
A traição do prefeito JHC aos compromissos assumidos em campanha é mais do que um episódio de estelionato eleitoral: é a institucionalização do abandono. Acordos firmados com a Braskem, sem debate público, foram assinados às pressas sob o aval de instituições que deveriam proteger os vulneráveis — e acabaram favorecendo os poderosos.
A cidade que deveria ser reconstruída com justiça social virou palco de marketing político e arranjos jurídicos. As crateras abertas pela mineração da Braskem são também metáforas das crateras na credibilidade da gestão pública e da confiança popular.
Quem responde pelas mortes?
A Prefeitura, a Braskem, os Ministérios Públicos, a Defensoria Pública — todos calados diante de uma população traumatizada, desalojada e financeiramente arrasada. As promessas de justiça se dissolveram como o solo instável de Maceió, afundado por décadas de extração predatória.
JHC venceu as eleições com um discurso de indignação e solidariedade. Governa com omissão e conveniência. A história registrará seu nome entre os que escolheram a política do silêncio, enquanto famílias inteiras gritavam por socorro.






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