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Ataque aos pobres: secretário de Saúde de Maceió pune trabalhadores e desrespeita o SUS

por | 15 jun, 2025

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Foto: Divulgação

A decisão do secretário municipal de Saúde de Maceió, Claydson Moura, de suspender os termos de comparecimento nas UPAs da capital tem gerado indignação entre trabalhadores, profissionais de saúde e defensores do SUS. A medida, colocada em prática neste sábado (14), afeta diretamente os usuários das unidades do Benedito Bentes, Trapiche e Santa Lúcia — todas sob gestão da prefeitura.

A justificativa apresentada pelo secretário — de que as UPAs estariam sendo “lotadas” por pessoas que querem apenas “matar trabalho” — não se apoia em nenhum dado oficial e representa uma acusação grave e genérica contra os usuários do SUS. Mas o ataque não para por aí: ao insinuar que médicos estariam emitindo atestados indevidos, Claydson coloca sob suspeita toda a categoria médica, sugerindo uma suposta conivência criminosa no sistema público de saúde.

As informações foram divulgadas originalmente pela Mídia Caeté, veículo independente que tem acompanhado criticamente os desdobramentos da gestão municipal na área da saúde.

Um operador político a serviço da exclusão

Conhecido nos bastidores como “Mourinha”, Claydson Moura tem longa trajetória como operador político da família Caldas. Agora, sem qualquer pudor, se presta ao papel de porta-voz de uma narrativa perversa que deslegitima os direitos dos trabalhadores e ataca a credibilidade de profissionais de saúde.

A fala do secretário sugere que os médicos das UPAs — vinculados à própria estrutura da prefeitura — estariam emitindo atestados falsos para pessoas que não estão doentes. Trata-se de uma acusação gravíssima, lançada sem provas, que desrespeita os princípios éticos da medicina e da gestão pública.

Generalização cruel e irresponsável

Para a ex-reitora da UFAL, professora e assistente social Valéria Correia, coordenadora do Fórum Alagoano em Defesa do SUS, a declaração de Moura revela uma lógica autoritária e desumana, que criminaliza os pobres e ignora os determinantes sociais da saúde.

— O que o secretário chama de ‘matar trabalho’ é, muitas vezes, uma tentativa desesperada de manter a dignidade em meio à dor. Essa decisão agride o SUS e envergonha a gestão pública, afirmou Valéria.

O advogado trabalhista Marcos Rolemberg também criticou duramente a medida. Para ele, negar o termo de comparecimento é violar um direito básico do trabalhador, previsto na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).

— O secretário trata a população como suspeita. Ignora os médicos, os critérios clínicos, o contexto social. E atinge justamente os mais vulneráveis: mulheres vítimas de violência, trabalhadores precarizados, desempregados adoecidos. É uma decisão autoritária, baseada em preconceito de classe, declarou Rolemberg.

Falta transparência, sobra arrogância

A medida não passou por debate com os conselhos de saúde, não apresenta dados públicos que sustentem as acusações e também não oferece alternativas para quem precisa comprovar comparecimento a uma unidade de saúde para justificar ausência ao trabalho.

A suspensão dos termos — em vez de resolver problemas estruturais como superlotação, falta de pessoal e infraestrutura precária — reforça a política de criminalização da pobreza e de desresponsabilização do Estado.

Mais grave ainda: a fala de Moura instiga desconfiança entre pacientes e médicos, colocando em xeque a relação de confiança que deve existir em qualquer ambiente de saúde. Em vez de fortalecer o SUS, a medida fragiliza a rede pública e ameaça direitos fundamentais.

Organizações da sociedade civil, sindicatos e movimentos populares se mobilizam para exigir a revogação imediata da medida e a responsabilização do secretário pelas declarações que desonram o serviço público e atacam tanto os usuários quanto os profissionais da saúde.

O que está em jogo não é apenas um papel com carimbo e assinatura. É o direito à saúde, à dignidade e ao trabalho justo — pilares que um gestor público deveria defender, e não destruir.

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