O deputado Alfredo Gaspar (União-AL) entrou em mais uma de suas cruzadas verbais, empunhando a retórica vazia de que não defende bandidos, mas acabou desarmado no plenário da Câmara. Ao insistir em um discurso de efeito sobre as audiências de custódia, recebeu a resposta fulminante da deputada gaúcha Fernanda Melchionna (PSOL-RS), que desmontou ponto a ponto sua encenação.
“Sem defender bandido – que não é a minha bandeira –, sem fazer discurso fácil para proteção de bandido perigoso”, disse Gaspar, em tom de bravata.
A fala, que pretendia ser altiva, abriu espaço para a réplica incisiva de Melchionna:
“Deputado Alfredo Gaspar, se eu defendesse bandido, eu estaria defendendo Bolsonaro neste momento, que está sendo julgado por um crime gravíssimo, de ataque às liberdades democráticas e tentativa, de forma violenta, de acabar com o Estado Democrático de Direito. Se eu defendesse bandido, eu estaria agora preocupada com a defesa daqueles que fizeram um plano de assassinato de Alckmin, de Lula, de Alexandre de Moraes, chamado punhal verde e amarelo. Se eu defendesse bandido, eu estaria agora berrando contra o Judiciário e querendo votar a anistia — olha que loucura! — o que vocês defendem na Câmara dos Deputados, para a anistia de quem se reuniu com os comandantes das Forças Armadas para tentar dar um golpe dentro do sistema político.”
A parlamentar não parou aí. Elevando o tom, reforçou a inversão do discurso da direita:
“A direita adora falar que nós defendemos bandido, mas quem defende os golpistas são eles, quem faz política para favorecer o PCC são eles, quem passa pano para as falas absurdas de Bolsonaro são eles.”
Gaspar, que buscava um palco para repetir frases prontas, viu sua fala ser engolida pela contundência de uma voz feminina que não se deixa intimidar. A cena escancarou o vazio da retórica extremista e mostrou como, ao tentar posar de guardião da lei, o deputado acabou exposto como defensor da anistia para os criminosos que atentaram contra a democracia.







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