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Pai (e eu) acima de tudo

por | 5 set, 2025

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Reprodução

Depois de duas semanas no Texas, Eduardo Bolsonaro passou a desconfiar que, se voltasse ao Brasil em março, acabaria preso. A dúvida foi compartilhada com o pai em um telefonema: “Existe 1%, 2%, 3% de chance de ser preso?”. Jair Bolsonaro respondeu que não havia garantia alguma. Segundo reportagem da revista piauí (setembro/2025), foi nesse momento que o deputado decidiu permanecer nos Estados Unidos, convicto de que dali poderia agir “de fora para dentro” contra o sistema político brasileiro. “De dentro do Brasil, não tem como”, afirmou.

A decisão não foi apenas política. Documentos da Polícia Federal mostram que Jair Bolsonaro vinha enviando recursos ao filho desde o início do ano. Foram seis transferências, fracionadas em valores menores, que somaram 111 mil reais. Mais tarde, um aporte de 2 milhões de reais também entrou na conta de Eduardo, que, por sua vez, transferiu parte do dinheiro para a esposa, Heloísa, em operações que, segundo a PF, buscavam “escamotear os valores encaminhados por seu genitor”. O relatório de 170 páginas afirma que os recursos teriam sido usados para financiar ações contra a soberania nacional e para dar suporte ao exílio político do deputado.

A reportagem da piauí acompanhou Eduardo durante cinco dias nos Estados Unidos. O parlamentar foi observado dando entrevistas, discursando em eventos, gravando vídeos para redes sociais e se reunindo com aliados em restaurantes, aeroportos e salas do Capitólio. Em quase todas as conversas, mencionava o pai, o ministro Alexandre de Moraes e a “ditadura brasileira”. O tom era de urgência e confronto, marcado por frases como: “E quem vai me tirar da cadeia?”.

Em julho, durante almoço em Washington, Eduardo relembrou a ligação feita ao pai meses antes. Reafirmou que a permanência no exterior era estratégica e insistiu na narrativa de perseguição política. A revista destaca que, longe do Brasil, ele tenta construir uma rede de apoio internacional, usando o exílio voluntário como plataforma de visibilidade e resistência.

O relato mostra como vida pessoal, política e família se entrelaçam no clã Bolsonaro. A presença do pai é constante em suas decisões e na justificação de seus atos. Ao mesmo tempo, a reportagem expõe a calculada movimentação financeira e a obsessão em manter ativa a militância digital e presencial, mesmo a milhares de quilômetros de Brasília.

Mais do que um retrato individual, o texto da piauí revela a adaptação de uma estratégia política: transformar a condição de foragido em ativo político, convertendo os Estados Unidos em trincheira de combate simbólico e ideológico.

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