Enquanto o governador Ronaldo Caiado (União Brasil) afirma que “não existe crime organizado em Goiás” e que a polícia controla a criminalidade, os dados mais recentes do Fórum Brasileiro de Segurança Pública revelam um cenário oposto.
Goiás aparece no topo do levantamento nacional sobre laboratórios de refino de cocaína, com 125 unidades identificadas entre 2019 e 2023 — número superior ao de estados tradicionalmente associados ao tráfico, como São Paulo e Mato Grosso do Sul.
O levantamento, divulgado pelo site Goiás 246 Notícias, mostra que o Centro-Oeste responde por mais de um terço dos 2.307 laboratórios encontrados no país. A posição geográfica estratégica do estado e o entroncamento de grandes rodovias federais fazem de Goiás um ponto-chave para o refino e a distribuição da droga, conectando a produção sul-americana aos principais centros consumidores do Brasil.
Os números expõem a contradição entre o discurso político e a realidade do crime organizado. Apesar da insistência em apresentar uma imagem de pleno controle da segurança pública, o estudo revela que o tráfico se sofisticou e se interiorizou, aproveitando-se da logística e da infraestrutura goiana.
Especialistas apontam que o crescimento do número de laboratórios reflete uma mudança no perfil do tráfico, que passou a operar de forma mais pulverizada e com alto grau de organização. Essa expansão, segundo o Fórum, ocorre mesmo em regiões que exibem indicadores de eficiência policial — o que evidencia os limites da política de segurança baseada apenas na repressão.
O caso de Goiás mostra que o coração do território brasileiro também se tornou parte essencial da engrenagem do tráfico internacional de drogas. Enquanto o governo nega a presença do crime organizado, os dados oficiais indicam o contrário.







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