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Bolsonaro tentou abrir tornozeleira eletrônica com ferro de solda, aponta relatório

por | 22 nov, 2025

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Reprodução

Um relatório da Secretaria de Estado de Administração Penitenciária do Distrito Federal (Seap-DF), encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF), revela que o ex-presidente Jair Bolsonaro fez uso de um ferro de solda para tentar abrir a tornozeleira eletrônica que estava sob monitoramento. No vídeo que acompanha o documento, Bolsonaro admite a tentativa e descreve o ato como “curiosidade”.

De acordo com o relatório, o alerta de violação foi gerado às 00h07 deste sábado (22) pelo sistema do Centro Integrado de Monitoração Eletrônica (CIME). Pela manhã, a Polícia Federal cumpriu a ordem de prisão preventiva.

“O equipamento possuía sinais claros e importantes de avaria. Havia marcas de queimadura em toda sua circunferência, no local de encaixe e fechamento do case. No momento da análise, o monitorado foi questionado acerca do instrumento utilizado. Em resposta, informou que fez uso de ferro de solda para tentar abrir o equipamento”, diz trecho do relatório da Seap.

 

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Segundo consta, a tentativa ocorreu na tarde de sexta-feira (21) e o ex-presidente alegou que o ato se deu por “curiosidade”. Em razão dos indícios de violação, o equipamento foi imediatamente substituído.

O ministro Alexandre de Moraes retirou o sigilo sobre o relatório e o vídeo, e concedeu às defesas de Bolsonaro o prazo de 24 horas para manifestação. No mesmo despacho, o ministro mencionou que a reunião convocada pelo senador Flávio Bolsonaro poderia gerar tumulto e “eventual tentativa de fuga do réu”.

Bolsonaro foi condenado a 27 anos e três meses de prisão na ação penal referente à trama golpista. A prisão preventiva, agora efetivada, é vista como passo para a execução da pena em regime fechado, caso os últimos recursos sejam rejeitados.

A defesa do ex-presidente já havia pleiteado prisão domiciliar por motivos de saúde, com o argumento de que Bolsonaro exige “acompanhamento médico intenso”. O pedido, entretanto, foi rejeitado por Moraes.

Versão da defesa

A defesa de Bolsonaro reagiu à acusação com veemência, afirmando que a versão apresentada pelas autoridades seria usada para “justificar o injustificável”. Segundo o advogado Paulo Cunha Bueno, não há provas concretas de que o ex-presidente pretendia fugir. “É um idoso, padece de problemas que são pública e ostensivamente graves à sua saúde”, declarou. Ele também afirmou que Bolsonaro estava em casa sob forte vigilância e que não teria condições de deixar o local.

© Valter Campanato/Agência Brasil

Além disso, a defesa classificou o uso da tornozeleira como uma humilhação injustificada. Bolsonaro afirmou sentir-se “sufocado” e “perseguido”, dizendo que a medida representava uma “suprema humilhação”. Ele negou qualquer intenção de fugir, afirmando: “Nunca pensei em sair do Brasil ou ir para embaixada”.

O advogado também criticou a prisão preventiva, alegando que ela teria sido motivada por uma “narrativa construída” para criminalizar o ex-presidente. Segundo ele, a interpretação de que Bolsonaro tentou romper a tornozeleira seria parte de um esforço para legitimar a detenção.

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