Um relatório da Secretaria de Estado de Administração Penitenciária do Distrito Federal (Seap-DF), encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF), revela que o ex-presidente Jair Bolsonaro fez uso de um ferro de solda para tentar abrir a tornozeleira eletrônica que estava sob monitoramento. No vídeo que acompanha o documento, Bolsonaro admite a tentativa e descreve o ato como “curiosidade”.
De acordo com o relatório, o alerta de violação foi gerado às 00h07 deste sábado (22) pelo sistema do Centro Integrado de Monitoração Eletrônica (CIME). Pela manhã, a Polícia Federal cumpriu a ordem de prisão preventiva.
“O equipamento possuía sinais claros e importantes de avaria. Havia marcas de queimadura em toda sua circunferência, no local de encaixe e fechamento do case. No momento da análise, o monitorado foi questionado acerca do instrumento utilizado. Em resposta, informou que fez uso de ferro de solda para tentar abrir o equipamento”, diz trecho do relatório da Seap.
Ver essa foto no Instagram
Segundo consta, a tentativa ocorreu na tarde de sexta-feira (21) e o ex-presidente alegou que o ato se deu por “curiosidade”. Em razão dos indícios de violação, o equipamento foi imediatamente substituído.
O ministro Alexandre de Moraes retirou o sigilo sobre o relatório e o vídeo, e concedeu às defesas de Bolsonaro o prazo de 24 horas para manifestação. No mesmo despacho, o ministro mencionou que a reunião convocada pelo senador Flávio Bolsonaro poderia gerar tumulto e “eventual tentativa de fuga do réu”.
Bolsonaro foi condenado a 27 anos e três meses de prisão na ação penal referente à trama golpista. A prisão preventiva, agora efetivada, é vista como passo para a execução da pena em regime fechado, caso os últimos recursos sejam rejeitados.
A defesa do ex-presidente já havia pleiteado prisão domiciliar por motivos de saúde, com o argumento de que Bolsonaro exige “acompanhamento médico intenso”. O pedido, entretanto, foi rejeitado por Moraes.
Versão da defesa
A defesa de Bolsonaro reagiu à acusação com veemência, afirmando que a versão apresentada pelas autoridades seria usada para “justificar o injustificável”. Segundo o advogado Paulo Cunha Bueno, não há provas concretas de que o ex-presidente pretendia fugir. “É um idoso, padece de problemas que são pública e ostensivamente graves à sua saúde”, declarou. Ele também afirmou que Bolsonaro estava em casa sob forte vigilância e que não teria condições de deixar o local.
Além disso, a defesa classificou o uso da tornozeleira como uma humilhação injustificada. Bolsonaro afirmou sentir-se “sufocado” e “perseguido”, dizendo que a medida representava uma “suprema humilhação”. Ele negou qualquer intenção de fugir, afirmando: “Nunca pensei em sair do Brasil ou ir para embaixada”.
O advogado também criticou a prisão preventiva, alegando que ela teria sido motivada por uma “narrativa construída” para criminalizar o ex-presidente. Segundo ele, a interpretação de que Bolsonaro tentou romper a tornozeleira seria parte de um esforço para legitimar a detenção.







0 comentários