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Ataque misógino a jornalistas em grupo de WhatsApp gera repúdio no meio profissional e político

por | 23 nov, 2025

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Reprodução

O debate político descambou para a violência verbal e o machismo em um grupo de WhatsApp, culminando em uma onda de repúdio no estado de Alagoas. A agressão, cometida pelo advogado Júlio Afonso de Freitas Melro Nascimento, teve como alvo jornalistas mulheres que postaram conteúdo crítico ao ex-presidente Jair Bolsonaro.

O teor da mensagem, postada na noite de 22 de novembro de 2025, foi uma reação a notícias e figurinhas (memes) sobre a prisão de Bolsonaro, em um grupo que reúne mais de 600 participantes, incluindo figuras do Judiciário e da política. O advogado escreveu: “As putinhas da esquerda estão ouriçadas hoje. É a única satisfação que tem até porque ninguém quer comer esses troços”. A declaração ocorreu após a jornalista Lenilda Luna, militante da Unidade Popular (UP), ter enviado uma figurinha com a imagem do ex-presidente e a frase: “MELHOR JAIR SE ACOSTUMANDO”.

Reação das Vítimas e do Sindicato

Em depoimento, Lenilda Luna, uma das vítimas, expressou sua indignação: “Olha a postura de um advogado num grupo porque não gostou das figurinhas e notícias sobre a prisão de Bolsonaro… Daí quando eu mandei essa inocente figurinha do Melhor Jair se Acostumando, ele atacou com misoginia pro meu lado. Horrível. Nem acreditei no que li”. A jornalista confirmou que os ataques foram direcionados a ela e a outro colega que postou conteúdo favorável à prisão.

O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de Alagoas (Sindjornal) publicou uma veemente Nota de Repúdio. No texto, o Sindjornal afirma que as falas do advogado “ultrapassam os limites da liberdade de expressão e configuram uma clara violência de gênero, destinada a intimidar e desqualificar todas as mulheres que militam no campo popular e democrático.”

O sindicato reforçou que a misoginia não tem espaço na sociedade democrática e exige uma retratação imediata. Além disso, a entidade oferece apoio jurídico à jornalista e anunciou que irá promover uma denúncia formal à Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Alagoas (OAB-AL), solicitando a instauração de um processo ético-disciplinar e as medidas cabíveis. “Defender a liberdade de imprensa é, antes de tudo, defender o direito das mulheres jornalistas de exercerem sua profissão ou suas posições sem serem vítimas de violência, assédio e misoginia,” concluiu o Sindjornal.

Repúdio de Movimento Social

O Movimento de Mulheres Olga Benario e a Unidade Popular também emitiram uma nota, manifestando seu mais veemente repúdio contra o advogado. O movimento classificou a declaração como “ofensiva, de caráter sexual” e destacou que ela “expõe a violência simbólica que as mulheres enfrentam diariamente ao exercerem seu trabalho e sua participação na vida pública.”

A nota enfatiza que o objetivo desses atos é “humilhar, constranger e intimidar mulheres, fazendo-as sentir medo e insegurança em espaços que deveriam ser democráticos.” O movimento reitera que o espaço virtual não pode ser um escudo para crimes de ódio, e que “normalizar ofensas misóginas é perpetuar um ciclo de silenciamento, submissão e exclusão das mulheres dos espaços públicos e de decisão.”

O Movimento Olga Benario e a Unidade Popular expressaram solidariedade à jornalista Lenilda Luna e reafirmaram o compromisso de lutar contra todas as formas de misoginia, machismo e violência política de gênero, especialmente na véspera do 25 de novembro, Dia de Combate à Violência contra a Mulher.

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