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Famílias menores e alta de moradores sozinhos mudam perfil da demanda por imóveis

por | 24 jul, 2026

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A redução do tamanho das famílias brasileiras e o aumento do número de pessoas que vivem sozinhas estão transformando o mercado imobiliário e influenciando o planejamento das cidades. Dados do Censo Demográfico 2022, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostram que, pela primeira vez, menos da metade das famílias do país é formada por casais com filhos.

Em 2022, esse modelo familiar representava 42% dos domicílios, contra 56,4% em 2000. No mesmo período, a participação de casais sem filhos cresceu de 13% para 24,1%, enquanto os domicílios unipessoais mais que triplicaram, passando de 4,1 milhões para 13,6 milhões. Atualmente, quase um em cada cinco lares brasileiros é ocupado por apenas uma pessoa.

As mudanças ocorrem em um momento de valorização do setor. Em junho de 2026, o Índice FipeZAP apontou Maceió como a capital com o metro quadrado residencial mais caro do Nordeste, com preço médio de R$ 9.966, acima da média nacional, de R$ 9.853.

Para o consultor imobiliário e fundador da Jarvis Inteligência Imobiliária, Lauro Braga, a nova configuração das famílias tem levado o mercado a adaptar os empreendimentos a diferentes perfis de compradores.

“Hoje o mercado atende perfis muito diferentes dos que predominavam há duas décadas. Cresceu o número de pessoas que moram sozinhas, de casais sem filhos, de famílias menores e também de investidores. Isso faz com que os empreendimentos precisem oferecer soluções mais funcionais, com plantas inteligentes, boa localização e infraestrutura que facilite a rotina dos moradores”, afirma.

Segundo o especialista, a localização e a qualidade de vida passaram a pesar mais na decisão de compra do que o tamanho do imóvel. Mobilidade, proximidade de serviços, comércio, escolas e áreas de lazer estão entre os fatores mais valorizados pelos consumidores.

“As pessoas buscam otimizar o tempo e reduzir deslocamentos. Um imóvel bem localizado, próximo ao trabalho, escolas, supermercados, academias e serviços, muitas vezes entrega mais qualidade de vida do que uma unidade maior, porém distante de tudo”, explica.

Braga avalia ainda que o crescimento dos empreendimentos com conceito wellness acompanha essa mudança de comportamento. Além de áreas de lazer, esses projetos priorizam ambientes voltados ao bem-estar, com iluminação e ventilação naturais, espaços para atividades físicas, áreas de convivência e acesso facilitado a serviços.

Para ele, a transformação também exige planejamento urbano capaz de acompanhar a nova dinâmica populacional.

“O mercado imobiliário acompanha as mudanças da sociedade, mas o desenvolvimento das cidades também precisa evoluir. Não basta construir novos empreendimentos. É necessário planejar bairros completos, com infraestrutura, acessibilidade, áreas de convivência e serviços que atendam às necessidades dessa população”, conclui.

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