Como parte das ações pelo Dia Internacional para a Conservação do Ecossistema de Manguezais, celebrado em 26 de julho, foi inaugurado nesta quinta-feira (23) o Centro de Recuperação de Manguezais, no povoado Barreiras, em Coruripe, no litoral sul de Alagoas. A unidade vai atuar na preservação de espécies nativas, produção de mudas e recuperação de áreas degradadas do mangue.
A iniciativa integra o Projeto Pró-Manguezais, que reúne órgãos públicos, instituições de pesquisa e parceiros privados. Durante a inauguração, também foram realizadas atividades de educação ambiental com estudantes da rede municipal e o plantio de mudas próximo à foz do Rio Coruripe, área de importância ambiental e econômica para marisqueiros, pescadores e ostreicultores.
Para a promotora de Justiça Lavínia Fragoso, coordenadora do Pró-Manguezais, a ação reforça o papel dos manguezais no enfrentamento às mudanças climáticas.
“O mangue é um importantíssimo sequestrador de CO₂ e, ao fazer o plantio de novas mudas, estamos contribuindo para combater diretamente o aquecimento global e reduzir os efeitos das mudanças climáticas”, afirmou.
Ela também destacou a importância da educação ambiental para a conservação do ecossistema. “Não se protege aquilo que não se conhece”, disse, ao ressaltar a participação dos alunos nas atividades realizadas no local.
O prefeito de Coruripe, Marcelo Beltrão, afirmou que o centro terá atuação além da preservação ambiental, envolvendo turismo e geração de renda. Segundo ele, a proposta é apresentar a iniciativa à Associação dos Municípios Alagoanos (AMA) para que outras cidades possam adotar medidas semelhantes.
“Queremos tornar o meio ambiente sustentável, protegido e trazer desenvolvimento para as pessoas”, declarou.
Representante do Ministério Público Federal no projeto, a procuradora da República Juliana Câmara destacou a participação de Coruripe na iniciativa. “O município está mostrando que, quando se propõe a fazer, leva muito a sério e apresenta ações concretas”, afirmou.
A unidade contará com parceria da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) e será destinada ao cultivo de mudas das principais espécies de mangue da região, como o mangue-vermelho (Rizophora mangle) e o mangue-branco (Laguncularia racemosa). O espaço também deverá receber atividades de turismo regenerativo e educação ambiental.
Moradores da comunidade Barreiras ressaltaram a importância do mangue para a economia local. A marisqueira Lenilda Souza de Castro, que retira maçunim no Rio Coruripe, afirmou que a preservação do ecossistema é essencial para manter sua atividade. Já a empresária Giselda Castro defendeu o reflorestamento do mangue. “É o futuro da nossa região”, disse.
Durante a ação, estudantes participaram de atividades educativas sobre a fauna e a flora dos manguezais. A aluna Kapuki Joanna Júlia Castro Van den Bosch, de 10 anos, destacou a necessidade de evitar a poluição. “Se poluir, os animais podem morrer. Temos que jogar lixo no local certo”, afirmou.
Coordenado pelo Ministério Público de Alagoas (MPAL) e pelo Ministério Público Federal (MPF), o Pró-Manguezais busca estimular a recuperação, conservação e o uso sustentável dos manguezais no estado. Além de Coruripe, participam da fase inicial do projeto os municípios de Barra de São Miguel e Marechal Deodoro.
Considerados berçários da vida marinha, os manguezais ajudam a proteger o litoral contra erosões e eventos climáticos extremos, além de armazenarem grandes quantidades de carbono. O Brasil abriga a maior área contínua de manguezais do planeta, com mais de 13 mil km² distribuídos pela costa.









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