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Estudo projeta impacto de R$ 8,8 bilhões da Copa do Mundo Feminina de 2027 na economia brasileira

por | 24 jul, 2026

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A menos de um ano da Copa do Mundo Feminina de 2027, um estudo da FGV Projetos estima que o torneio deve movimentar R$ 8,8 bilhões na economia brasileira, gerar 73,7 mil postos de trabalho e acrescentar R$ 3,8 bilhões ao Produto Interno Bruto (PIB). Encomendado pela Embratur, o levantamento aponta reflexos em setores como turismo, comércio, serviços e mercado de trabalho.

Além do crescimento econômico, a pesquisa prevê arrecadação de R$ 928 milhões em tributos e distribuição de R$ 4,5 bilhões em rendimentos, entre salários e lucros. Durante a apresentação do estudo no Confut, em Nova York, o diretor de Gestão e Inovação da Embratur, Roberto Gevaerd, destacou que o impacto esperado supera o movimentado pelos principais eventos esportivos realizados anualmente no país.

“Em 2025, o conjunto dos dez maiores eventos esportivos recorrentes do país movimentou R$ 4,56 bilhões. Quando olhamos para a Copa do Mundo Feminina Fifa 2027, entendemos a verdadeira magnitude desse megaevento. Sozinhos, os impactos chegam a R$ 8,8 bilhões.”

Segundo o levantamento, cerca de R$ 4,7 bilhões devem ser movimentados pelos gastos de aproximadamente dois milhões de pessoas, entre turistas e moradores que acompanharão a competição. Esse fluxo poderá sustentar 45,7 mil empregos, gerar R$ 2,4 bilhões em renda e R$ 516 milhões em arrecadação tributária.

Outra parcela dos impactos está relacionada aos investimentos na organização do Mundial. A Fifa prevê aplicar US$ 800 milhões na competição e, descontados os valores destinados às premiações, cerca de R$ 2,3 bilhões devem ser direcionados à economia brasileira para despesas com logística, segurança, saúde, transmissões e operação do evento.

O estudo também aponta potencial para ampliar o público do futebol feminino. Dados da pesquisa Nexus/CBF mostram que 72% das pessoas que nunca assistiram a uma partida de futebol em um estádio são mulheres, enquanto 73% da população tem avaliação positiva da Seleção Brasileira Feminina. Entre os turistas internacionais esperados para a Copa, quase metade será composta por mulheres, que permanecem, em média, 11 dias no país e concentram os gastos em comércio, gastronomia, cultura e turismo.

Para a historiadora e pesquisadora Aira Bonfim, no entanto, o legado da competição não será medido apenas pelos resultados econômicos, mas pela capacidade de fortalecer o futebol feminino de forma permanente.

“O que vai definir esse legado são as políticas públicas que permanecerem, os espaços esportivos que continuarem existindo, as oportunidades criadas para meninas e mulheres e a forma como esse país vai se reconhecer depois dessa Copa. É aí que a gente saberá se esse foi apenas um grande evento ou uma transformação histórica.”

A avaliação reforça que o principal desafio será transformar o impacto financeiro do Mundial em avanços duradouros para a modalidade, ampliando o acesso de meninas ao esporte, fortalecendo clubes, profissionalizando o futebol feminino e consolidando políticas públicas voltadas ao setor.

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