A Polícia Federal cumpriu nesta segunda-feira (10) mandados de busca e apreensão no Instituto de Previdência dos Servidores Públicos de Maceió (Iprev), em Maceió e São Paulo, em investigação autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) que apura suspeitas de gestão fraudulenta, lavagem de dinheiro e organização criminosa envolvendo aplicações de cerca de R$ 97 milhões dos recursos previdenciários no Banco Master. Nove pessoas foram alvo da operação, entre elas o secretário municipal da Fazenda, João Felipe Alves Borges, e ex-dirigentes do instituto.
A operação atinge o núcleo administrativo da gestão do ex-prefeito João Henrique Caldas, o JHC, e envolve uma das áreas mais sensíveis da administração pública: os recursos destinados ao pagamento futuro de aposentadorias e pensões dos servidores municipais.
Entre os alvos estão Ronnie Reyner Teixeira Mota, ex-presidente do Iprev; Gustavo Antônio Rodrigues de Souza, ex-coordenador-geral de Investimentos; Renan Foglia Calamia, dirigente da Crédito & Mercado Consultoria, apontado pela Polícia Federal como participante da elaboração de pareceres técnicos e documentos relacionados aos investimentos; Marília Alexandre de Lima Alves e Marcelo Brasileiro Santos, ligados à estrutura de governança do instituto; e João Felipe Alves Borges, atual secretário da Fazenda e ex-integrante do Conselho de Administração do Iprev.
A presença de João Felipe Alves Borges entre os alvos amplia o alcance político da investigação. O secretário foi uma das principais apostas de JHC para imprimir um perfil técnico à administração municipal. Trazido pelo então prefeito do Rio de Janeiro, onde atuava na área de gestão pública, João Felipe assumiu uma função estratégica no governo e participa da estrutura responsável pelo controle financeiro e administrativo do município.
O nome do ex-prefeito JHC não consta entre os investigados e não houve busca e apreensão em sua residência ou escritório. A operação, porém, atinge pessoas que ocuparam posições estratégicas na sua administração e coloca sob questionamento os mecanismos de controle adotados durante sua gestão.
A investigação da Polícia Federal deverá esclarecer como foram tomadas as decisões que levaram aos investimentos no Banco Master, quais análises técnicas fundamentaram as aplicações e se houve falhas ou irregularidades nos processos de governança do Iprev.
Politicamente, o caso representa o maior desgaste enfrentado por JHC na Prefeitura de Maceió. A operação da PF alcança uma área central da administração que sustentou parte da imagem pública construída pelo ex-prefeito: a promessa de eficiência, controle e gestão técnica.
A responsabilização dos envolvidos dependerá da conclusão das investigações. Mas o caso Iprev já se tornou um dos principais desafios políticos do grupo ligado ao ex-prefeito JHC e deverá produzir novos desdobramentos no cenário político de Alagoas.






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