O ano começou com boas notícias para o setor cultural brasileiro. A Lei Rouanet voltou a registrar crescimento expressivo e, em 2025, atingiu o maior volume da sua história pelo terceiro ano consecutivo. Foram R$ 3,41 bilhões captados via renúncia fiscal, 12,1% a mais que em 2024 e 45,1% acima de 2023, quando a captação somou R$ 2,35 bilhões, segundo dados do Sistema de Apoio às Leis de Incentivo à Cultura (Salic).
Hoje, 4.866 projetos culturais estão em execução com apoio da Lei, contemplando todas as 27 unidades da Federação. O crescimento da captação ocorreu em todas as regiões. O Norte se destacou, com um salto de 81,4%, passando de R$ 64,6 milhões em 2023 para R$ 117,2 milhões em 2025. O Centro-Oeste quase dobrou seus números, alcançando R$ 128,2 milhões, e o Nordeste também apresentou avanço significativo, de 57,4%, chegando a R$ 233,9 milhões. Já o Sul captou R$ 479,7 milhões e o Sudeste manteve a liderança absoluta, com R$ 1,72 bilhão. Esses números refletem a política de descentralização da Lei, que busca incluir regiões historicamente menos favorecidas pelos mecanismos de fomento.
O impacto da Rouanet vai além da captação. Em 2024, o setor cultural empregava 5,9 milhões de pessoas no Brasil, mantendo 5,8% da população ocupada — a maior marca desde 2014. Entre os estados, São Paulo (7,6%), Rio de Janeiro (7%) e Ceará (7%) concentraram a maior proporção de trabalhadores no setor, enquanto Acre (2,7%), Amapá (2,8%) e Rondônia (2%) tiveram os menores índices.
Nas capitais, destacaram-se Florianópolis (10,7%), São Paulo (10,1%) e Manaus (9,4%). A informalidade é alta em algumas regiões, como Roraima (76,9%), Pará (74,1%) e Tocantins (71,5%), mas menor em Santa Catarina (30%), Rio Grande do Sul (32,6%) e Paraná (33,2%). Segundo o IBGE, a principal categoria de trabalhadores culturais é o profissional por conta própria (43%), seguido dos empregados do setor privado com carteira assinada (34,4%) e sem carteira (14,3%).
A Lei Rouanet é responsável pela manutenção de centenas de instituições culturais em todo o país, incluindo o MASP (SP), Museu do Amanhã (RJ), Instituto Inhotim (MG), Museu Oscar Niemeyer (PR), Museu Paço do Frevo (PE), Museu da Amazônia (AM), Museu Nacional da Cultura Afro-brasileira (BA) e Casa da Vovó Dedé (CE).
Além disso, viabiliza mais de 400 festivais de arte e eventos contínuos, entre eles o Festival de Teatro de Curitiba (PR), Festival de Cinema de São Paulo (SP), Festival Internacional de Arte Naif (PB) e Festival Favela Cria (RJ). Festivais de cultura popular em municípios menores também são apoiados, como o Festival da Galinha Recheada (RS), Festival Folclórico de Silves (AM) e Festival Nacional de Danças Folclóricas de Blumenau (SC).
Mais de 600 iniciativas de formação artística recebem recursos da Lei, como Talentos da Amazônia (AM), Instituto Baccarelli (SP), Teias da Juventude (CE), Orquestra Jovem de Maragogi (AL) e Escola do Teatro Bolshoi no Brasil (SC). Cerca de 120 grupos e coletivos também são mantidos, incluindo o Grupo Corpo (MG), Grupo Galpão (MG), Grupo de Teatro Palha (PA), Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo e o bloco carnavalesco Ilê Aiyê (BA).
O incentivo ainda apoia ações de empreendedorismo cultural em territórios vulneráveis, com projetos como Expo Favela (SP), Programa Jovem de Expressão (DF), Conexão da Periferia (GO), Prêmio Pretas Potências (SP) e PerifaImpacto (SP).
Nos últimos anos, o teatro musical consolidou-se como um segmento em expansão, promovendo emprego e turismo cultural. Hoje circulam pelo país 106 espetáculos, entre eles Elza, o Musical, Tom Jobim Musical, Rita Lee – Uma Autobiografia Musical, Torto Arado, o Musical, Tim Maia – Vale Tudo, Djavan – Vidas pra Contar e Ney Matogrosso – Homem com H.
No ano passado, ao completar 34 anos, a Lei Rouanet totalizou R$ 33,6 bilhões em investimentos nominais (R$ 60,5 bilhões corrigidos), gerando uma movimentação econômica de R$ 441,7 bilhões, segundo pesquisa da FGV, e impactando praticamente todos os setores produtivos do país. Esses números mostram que o incentivo cultural não apenas mantém a arte viva, mas também dinamiza a economia e amplia oportunidades em todo o território nacional.







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