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Ambiente de trabalho responde por 30% dos casos de racismo no Brasil

por | 22 nov, 2025

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© Fernando Frazão/Agência Brasil

O ambiente de trabalho concentra 30% dos casos de racismo e injúria racial no Brasil em 2025, segundo levantamento divulgado em reportagem da Agência Brasil. A análise, realizada pela plataforma Jusbrasil, considerou 4.838 decisões judiciais registradas entre janeiro e outubro, das quais 1.407 ocorreram em locais de trabalho.

A reportagem informa que, em 1.113 desses episódios, havia vínculo direto entre empregadores e empregados, o que evidencia a persistência de práticas discriminatórias nas relações profissionais. Uma das pesquisadoras responsáveis pelo estudo, Cecília Veloso, afirmou que “quando analisamos dados jurídicos públicos de temas relevantes podemos contribuir para ampliar o debate e pautar políticas públicas necessárias para enfrentar problemas sociais como o racismo”.

Outros ambientes que concentram alto número de denúncias são espaços públicos, com 974 decisões relacionadas, e estabelecimentos comerciais, com 805 casos. O levantamento também aponta que 39,5% das decisões analisadas resultaram em condenações na esfera criminal, totalizando 1.910 sentenças.

A pesquisa utilizou inteligência artificial para identificar padrões raciais nas decisões judiciais, com acompanhamento de especialistas em informação jurídica. Segundo as autoras, o acesso organizado a esses dados é fundamental para orientar debates sociais e institucionais sobre discriminação racial no país.

A reportagem da Agência Brasil destaca ainda números do Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2025, que registrou, em 2024, 18.200 casos de injúria racial e 18.923 de racismo, demonstrando a persistência estrutural do problema. O texto também menciona a aprovação, pela Câmara dos Deputados, de um projeto que aumenta a pena para injúria racial quando a vítima for mulher ou idosa, acrescentando um agravante que pode elevar a punição em um a dois terços.

Entre os 1.407 episódios registrados no ambiente de trabalho, 554 vítimas são mulheres, 239 são homens e, em 613 decisões, não foi possível identificar o gênero apenas pela leitura dos documentos jurídicos.

As pesquisadoras defendem que a combinação entre dados, tecnologia e análise jurídica tem potencial para impulsionar políticas públicas capazes de garantir direitos e proteger a população negra em espaços profissionais.

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