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Automedicação no inverno pode trazer riscos à saúde

por | 2 jul, 2026

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Com a chegada do inverno e o aumento dos casos de gripe e resfriado, cresce também a prática da automedicação. Embora seja comum recorrer a medicamentos para aliviar sintomas como febre, tosse e dores no corpo, especialistas alertam que o hábito pode esconder doenças mais graves e provocar reações adversas.

A farmacêutica do Hospital Regional de Palmeira dos Índios (HRPI), Aphra Albuquerque, explica que um dos erros mais frequentes é o uso simultâneo de diferentes medicamentos sem orientação profissional.

“Muitas pessoas utilizam antigripais, xaropes e analgésicos ao mesmo tempo sem perceber que eles podem conter o mesmo princípio ativo, aumentando o risco de superdosagem”, destaca.

Segundo a especialista, nem todo quadro com febre, tosse, dores no corpo e cansaço é causado por gripe ou resfriado.

“Nem todo sintoma é apenas uma gripe ou um resfriado. Febre, tosse, dor no corpo e cansaço também podem ser sinais de outras doenças que precisam de avaliação médica. Tomar medicamentos sem orientação pode mascarar os sintomas, atrasar o diagnóstico correto e até causar reações indesejadas”, afirma.

A farmacêutica ressalta que sintomas aparentemente simples podem indicar infecções bacterianas, como amigdalite e pneumonia, ou ainda estar relacionados a doenças respiratórias crônicas, como a asma.

Ela explica que o uso de anti-inflamatórios sem acompanhamento médico pode reduzir temporariamente a dor e a febre, criando uma falsa sensação de melhora enquanto a doença continua evoluindo.

Outro ponto de atenção é o uso inadequado de antibióticos. Apesar da exigência de receita médica para a compra desses medicamentos, muitas pessoas ainda utilizam sobras de tratamentos anteriores.

“Embora a venda desses medicamentos seja controlada por prescrição, ainda há quem recorra a sobras de tratamentos anteriores guardadas em casa. O uso de antibióticos para tratar infecções virais, como gripe e resfriado, é totalmente ineficaz e contribui para o aumento da resistência bacteriana, tornando as bactérias mais difíceis de combater no futuro”, alerta.

A especialista também orienta sobre os riscos do uso prolongado de descongestionantes nasais em gotas, bastante procurados durante o inverno.

“Apesar de proporcionarem alívio quase imediato para o nariz entupido, o uso por mais de cinco dias consecutivos pode causar o chamado efeito rebote, em que o nariz fica ainda mais congestionado quando o medicamento é suspenso. Além disso, esses medicamentos podem aumentar o risco de arritmias e elevação da pressão arterial devido à vasoconstrição”, explica.

A recomendação é que, diante de sintomas persistentes ou intensos, o paciente procure atendimento médico antes de iniciar qualquer tratamento por conta própria, garantindo um diagnóstico correto e o uso seguro dos medicamentos.

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