O arquiteto, urbanista e professor da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), Dilson Ferreira, afirmou que Maceió está sendo tratada como uma “mercadoria” e criticou a condução da revisão do Plano Diretor da capital. As declarações foram feitas durante entrevista ao podcast CMCast, dos jornalistas Ricardo Mota e Carlos Melo, do portal CadaMinuto.
Ao responder quem mais se beneficia com o atraso na aprovação do novo Plano Diretor, Dilson, que também é colunista do 082 Notícias, foi categórico ao apontar o mercado imobiliário como principal favorecido.
“Eu sempre falo que a cidade virou uma mercadoria. A nossa Maceió é uma mercadoria”, afirmou.
Segundo o professor, o modelo de desenvolvimento urbano adotado na capital prioriza interesses econômicos em detrimento da qualidade de vida e do planejamento sustentável. Como exemplo, criticou intervenções urbanas que privilegiam soluções paisagísticas em vez da preservação ambiental.
“O cara ganha dinheiro colocando grama, em vez de plantar árvores nativas”, disse.
Durante a entrevista, Dilson também avaliou que os planos diretores, de maneira geral, tendem a favorecer o setor imobiliário e afirmou que a proposta em discussão em Maceió segue essa lógica.
“Você tem um Plano Diretor que, querendo ou não, visa o mercado imobiliário. No Brasil inteiro, geralmente os planos diretores tendem, sim, a valorizar o mercado imobiliário”, declarou.
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O professor reconheceu que, nesta revisão, a sociedade civil teve participação mais ativa do que em processos anteriores, mas alertou para a realização de reuniões sem a presença de representantes da população.
“Está tendo reuniões, muitas vezes, que não participam da sociedade civil. Isso é um perigo”, afirmou.
Dilson também demonstrou preocupação com a influência do setor imobiliário na gestão pública. Segundo ele, há casos em que representantes ligados ao mercado ou pessoas com histórico de atuação no segmento ocupam cargos estratégicos na administração municipal.
“Muitas vezes é indicado representante do próprio mercado imobiliário, ou alguém que já passou pelo mercado imobiliário, para gerenciar essas secretarias. Então você acaba tendo, de certa forma, o mercado imobiliário dentro da estrutura do Estado”, criticou.
As declarações ocorreram em meio ao debate sobre a atualização do Plano Diretor de Maceió, instrumento que estabelece as diretrizes para o crescimento urbano da cidade e define regras para ocupação do solo, mobilidade, habitação e desenvolvimento urbano.







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