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Economista da Unicamp diz que juros altos alimentam dívida e critica pressão por austeridade

por | 3 set, 2026

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O economista e professor do Instituto de Economia da Unicamp Marcelo Manzano afirmou, em entrevista ao portal Vermelho, que o crescimento da dívida pública brasileira está sendo provocado principalmente pelos juros elevados, e não por um suposto descontrole dos gastos do governo.

Segundo Manzano, a dívida dos três níveis de governo aumentou desde 2023 sobretudo em razão do custo da taxa Selic, que chegou a 15% e ainda permanece em patamar elevado. Como parte dos títulos públicos é corrigida pelos juros, a política monetária acaba ampliando o próprio estoque da dívida.

“A dívida cresce fundamentalmente por causa dos juros”, afirmou o economista ao Vermelho.

Na avaliação de Manzano, o governo Lula não promoveu uma explosão dos gastos públicos. Ele lembrou que, em 2023, a administração federal precisou assumir um déficit próximo de 2% do PIB para cobrir despesas que, segundo ele, não haviam sido adequadamente previstas no orçamento anterior.

Para o professor, nos anos seguintes o resultado fiscal se aproximou do equilíbrio, enquanto a economia continuou crescendo.

Manzano também criticou o alarmismo em torno da dívida pública e rejeitou a ideia de que exista um percentual universal considerado seguro para o endividamento de um país.

“Não há nenhum economista que diga qual é a dívida ideal”, declarou.

O economista citou o Japão e países do G7 como exemplos de nações com níveis de endividamento superiores ao brasileiro. Para ele, a pressão por cortes em saúde, educação e investimentos não encontra respaldo suficiente apenas no tamanho da dívida.

Segundo Manzano, existe um ciclo em que juros altos são justificados pela dívida elevada, enquanto os próprios juros fazem a dívida crescer ainda mais.

Outro ponto criticado pelo professor foi a meta de inflação de 3% ao ano. Para ele, o objetivo é inadequado às características da economia brasileira e deveria ficar entre 4% e 5%.

“Essa meta de inflação está errada, não a inflação”, afirmou.

Manzano também avaliou que a pressão por austeridade fiscal aumenta em períodos eleitorais. Na visão dele, setores do mercado financeiro e da mídia tentam obter compromissos prévios dos candidatos para limitar gastos e investimentos públicos.

“Essa história se repete, principalmente em anos de eleição”, disse.

Como alternativa, o professor defendeu uma política inspirada no pensamento keynesiano, com a separação entre gastos correntes e investimentos públicos. A ideia permitiria financiar obras de infraestrutura e projetos de longo prazo sem submetê-los à mesma lógica de equilíbrio anual das despesas correntes.

Para Manzano, investimentos em rodovias, ferrovias, hospitais, escolas e centros de pesquisa podem ampliar a produtividade e gerar retorno econômico e social ao longo dos anos.

“A austeridade fiscal é pura ideologia”, afirmou.

O economista considera que a revisão da meta de inflação e a criação de mecanismos para ampliar os investimentos públicos poderiam aumentar a margem de manobra do governo e reduzir a pressão por cortes de gastos.

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