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Memorial da América Latina arrecada milhões, mas sofre com falta de investimentos

por | 1 out, 2026

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A Fundação Memorial da América Latina arrecadou R$ 5,4 milhões em 2025, principalmente com a cessão de espaços para eventos privados, mas enfrenta dificuldades para utilizar os recursos em manutenção e investimentos. A situação ocorre enquanto o governo de São Paulo avalia um projeto de privatização ou concessão do complexo.

Segundo Pedro Mastrobuono, presidente da Fundação Memorial da América Latina, a instituição é capaz de gerar recursos próprios, mas parte do dinheiro fica contingenciada pelo governo estadual. Em audiência pública realizada na Assembleia Legislativa de São Paulo, ele afirmou que os valores são liberados de forma gradual, o que comprometeria o funcionamento e a capacidade de investimento da instituição.

De acordo com os dados apresentados na audiência, a Fundação teve apenas R$ 7 previstos para serviços gerais em 2025, apesar da receita milionária. Para 2026, a programação para essa rubrica seria de R$ 10.

Mastrobuono afirma que o contingenciamento contribui para um déficit operacional estimado entre R$ 600 mil e R$ 640 mil por ano. A Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas, por sua vez, informou que o Memorial possui autonomia administrativa e financeira e que a gestão dos recursos, investimentos e contratação de pessoal cabe à própria fundação.

Outro problema apontado pela direção é a redução do quadro de servidores. Criado em 1989, o Memorial realizou apenas um concurso público, que resultou na contratação de cerca de 50 servidores. Atualmente, são 24 funcionários concursados, após aposentadorias e desligamentos.

A redução do quadro também limita a contratação de comissionados, já que a legislação estabelece que o número desses funcionários não pode superar o de servidores efetivos.

Perdas com descontos

Além do contingenciamento, a Fundação também registrou perdas de receita decorrentes de descontos concedidos em contratos de cessão de espaços. Segundo informações apresentadas pela gestão, os abatimentos realizados entre janeiro de 2023 e maio de 2026 somaram R$ 24 milhões.

O período inclui a gestão do ex-diretor João Carlos Corrêa, que é investigado pela Polícia Civil. Mesmo diante das perdas apontadas, Mastrobuono afirma que o Memorial vem alcançando as metas de arrecadação estabelecidas pelo governo estadual.

O presidente da Fundação é contrário à privatização e defende a manutenção do modelo atual de concessão de uso dos espaços. O Memorial recebe eventos culturais e privados, incluindo festivais musicais e outras atividades realizadas nas áreas externas e no Auditório Simón Bolívar.

Universidades ampliam presença

Paralelamente à discussão sobre o futuro da instituição, a atual gestão tenta ampliar a atuação acadêmica do Memorial.

A Fundação mantém parcerias com universidades públicas paulistas. A Unesp firmou um acordo de cooperação de 25 anos, com previsão de R$ 3 milhões em equipamentos e infraestrutura para a criação de um distrito acadêmico.

Também há uma parceria com a Unicamp voltada à memória e à produção cultural latino-americana, com atividades como cursos e palestras.

O Programa de Pós-Graduação em Integração da América Latina da USP (Prolam-USP) também ampliou sua presença no espaço e manifestou preocupação com a possibilidade de privatização.

A gestão ainda negocia recursos da Fapesp para obras e melhorias na infraestrutura. Segundo o Memorial, a proposta prevê aporte de R$ 7 milhões, mas o projeto está paralisado após a retirada do apoio da Secretaria da Cultura.

Criado a partir do projeto idealizado pelo antropólogo Darcy Ribeiro, o Memorial da América Latina tem como uma de suas principais propostas promover intercâmbios culturais, artísticos e acadêmicos entre países latino-americanos.

A discussão sobre o modelo de gestão da instituição deve continuar enquanto o governo estadual avalia alternativas para garantir recursos destinados à manutenção e aos investimentos no complexo.

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