As ações e operações policiais ampliaram a participação nos episódios de violência armada registrados no Brasil durante o primeiro semestre de 2026, segundo relatório divulgado pelo Instituto Fogo Cruzado. O levantamento aponta que 39% dos tiroteios mapeados tiveram envolvimento de forças de segurança, deixando 901 pessoas baleadas.
Entre janeiro e junho, o instituto registrou 2.511 tiroteios em 57 municípios das regiões metropolitanas do Rio de Janeiro, Recife, Salvador e Belém. Ao todo, 2.403 pessoas foram atingidas por disparos de arma de fogo. Destas, 1.628 morreram e 775 ficaram feridas.
As operações policiais estiveram presentes em 989 ocorrências, que resultaram em 584 mortes e 317 pessoas feridas. Em comparação com o mesmo período de 2025, a participação das forças de segurança nos confrontos aumentou de 33% para 39%, mesmo com a redução no número total de tiroteios.
Para a gerente de Pesquisa do Instituto Fogo Cruzado, Terine Husek Coelho, os dados reforçam a necessidade de rever a política de segurança pública baseada em operações policiais ostensivas.
“Há três décadas o Estado repete a mesma fórmula, um modelo de segurança pública incapaz de desarticular os grupos armados e que não garante segurança à população. Ao contrário, essa lógica alimenta o alto número de tiroteios, expõe moradores ao fogo cruzado, compromete o funcionamento de escolas e unidades de saúde e não contém o avanço dos grupos armados”, afirmou.
O relatório também identificou aumento da violência decorrente de disputas entre facções criminosas e milícias. O número de pessoas baleadas nesses confrontos passou de 181 no primeiro semestre de 2025 para 203 no mesmo período deste ano, alta de 12%.
No recorte regional, a região metropolitana do Rio de Janeiro registrou 976 tiroteios, com participação policial em 47% das ocorrências, o maior índice para um primeiro semestre desde o início da série histórica, em 2017.
Na região metropolitana do Recife, foram contabilizados 645 tiroteios, o menor número desde 2019. Apesar da queda, o período registrou o maior volume de confrontos envolvendo ações policiais da série histórica. O levantamento também apontou recorde de vítimas baleadas durante assaltos, com 53 pessoas atingidas.
Em Salvador e região metropolitana, o número de tiroteios caiu para 656 ocorrências, o menor patamar dos últimos anos. No entanto, mais da metade das vítimas de disparos de arma de fogo (53%) foi registrada em contextos de ações policiais. Entre os agentes de segurança baleados, 71% estavam em serviço.
Já na região metropolitana de Belém, o instituto registrou 234 tiroteios no primeiro semestre, redução de 20% em relação ao mesmo período de 2025. Ainda assim, as ações policiais estiveram presentes em 45% dos registros de violência armada na capital paraense e municípios vizinhos.






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