Uma nova pesquisa conduzida pelos institutos DataRaça e Akatu mostra que cerca de 34,8% da população negra no Brasil relatou ter sofrido algum tipo de preconceito em estabelecimentos de comércio e serviços no último ano.
Segundo o estudo, a maioria dessas situações — aproximadamente 72% — não se refere a atos ostensivos, mas a manifestações sutis ou camufladas de discriminação, como vendedores que acompanham clientes negros pela loja ou seguranças que os vigiam.
Os jovens negros são os mais afetados, com 48,5% relatando terem enfrentado esse tipo de discriminação. A região Sul do país registrou o maior índice — 55% — enquanto as classes de renda mais baixa (C: 37,5% e D: 37%) são as mais vulneráveis ao preconceito no consumo.
“Os dados mostram que o consumo é um território de exclusão simbólica: o corpo negro ainda é tratado como suspeito ou deslocado nos espaços com maior visibilidade”, afirmam os pesquisadores.
Na análise do levantamento, o uso de índices como o “Índice de Barreiras à Inclusão Racial no Consumo” — que alcançou quase 60 — e o “Índice de Etnocentrismo Racial no Consumo” — registrado em 36,5 — reforça a percepção de obstáculos que pessoas negras enfrentam para serem tratadas com respeito e reconhecimento como consumidoras.
A metodologia da pesquisa envolveu 1.000 pessoas negras, por meio de questionário online, com nível de confiança de 95% e margem de erro de 3,1 pontos percentuais.
Os resultados colocam o ambiente de consumo — e mais especificamente o comércio varejista — como importante terreno onde o racismo se manifesta de forma cotidiana e sutil, o que dificulta tanto a comprovação quanto a denúncia desses episódios.






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