A maior estatal brasileira, símbolo de desenvolvimento e soberania, passou por um período de profundo desmonte entre 2019 e 2022. Áreas estratégicas essenciais para o abastecimento da população e para a segurança energética do país foram privatizadas ou arrendadas, sob o pretexto de “desinvestimentos em ativos não essenciais”. O resultado foi o enfraquecimento da Petrobras e o aumento da dependência do Brasil de mercados externos, em setores vitais como gás, combustíveis, fertilizantes e refino.
Gás, fertilizantes e refino: pilares estratégicos do país
Em junho de 2019, a Petrobras concluiu a venda de 90% da Transportadora Associada de Gás (TAG) e completou a privatização em julho de 2020. A TAG é responsável por mais de 4.500 km de gasodutos, ligando 10 estados, com destaque para Norte e Nordeste. A perda de controle sobre essa infraestrutura estratégica comprometeu a autonomia do Brasil na distribuição de gás natural.
O setor de fertilizantes também foi alvo da política de desinvestimento. A Fafen-PR foi fechada, e as unidades da Bahia (Fafen-BA) e Sergipe (Fafen-SE) foram arrendadas. A UFN-1 de Três Lagoas foi vendida para um grupo estrangeiro, aumentando a dependência do país de fertilizantes importados e gerando risco à segurança alimentar.
A privatização da Liquigás, responsável pelo gás de cozinha (GLP), e da BR Distribuidora, que passou a se chamar Vibra Energia, consolidou grandes grupos privados em setores vitais, prejudicando a autonomia nacional na distribuição de energia e combustíveis.
Entre 2019 e 2022, a Petrobras distribuiu R$ 439 bilhões em dividendos e juros sobre capital próprio a acionistas, em grande parte privados, enquanto áreas estratégicas eram vendidas. Em 2022, a estatal registrou lucro líquido de R$ 188,3 bilhões e distribuiu R$ 215,7 bilhões, tornando-se a segunda maior pagadora de dividendos do mundo.
Defender a Petrobras é defender o Brasil
A Petrobras não é apenas uma empresa: é um patrimônio estratégico do país. Privatizar setores críticos sob a lógica do lucro imediato colocou em risco a soberania nacional e prejudicou a população brasileira. A recuperação da estatal e o investimento em setores estratégicos são fundamentais para reduzir a dependência externa, assegurar preços justos e fortalecer a segurança econômica e energética do Brasil.
Setores privatizados e fora de controle da Petrobras
1. Transporte de Gás Natural
o Transportadora Associada de Gás (TAG): malha de 4.500 km de gasodutos, atendendo 10 estados (Norte e Nordeste).
o Status: privatizada em 2019-2020 para Engie/CDPQ.
o Impacto: perda de controle sobre infraestrutura estratégica de gás.
2. Distribuição de Gás de Cozinha (GLP)
o Liquigás: subsidiária responsável pela comercialização de GLP.
o Status: privatizada em 2020 para Copagaz, Itaúsa e Nacional Gás Butano.
o Impacto: Petrobras deixou de atuar na distribuição de gás, afetando preços e logística.
3. Distribuição de Combustíveis
o BR Distribuidora (hoje Vibra Energia): distribuição e venda de combustíveis.
o Status: privatizada em 2021.
o Impacto: Petrobras não controla a logística de combustíveis; contrato de não concorrência com a Vibra até 2029.
4. Fertilizantes
o Fafen-PR (Paraná): fechada; Fafen-BA (Bahia) e Fafen-SE (Sergipe) arrendadas; UFN-1 (Três Lagoas, MS) vendida para grupo russo.
o Impacto: perda de produção nacional de ureia e amônia, aumento da dependência de importações e risco à segurança alimentar.
5. Refinarias
o RLAM (Bahia), Reman (Amazonas), SIX (Paraná), RPCC (Rio Grande do Norte)
o Status: vendidas entre 2019 e 2020.
o Impacto: redução da capacidade de refino, principalmente Norte e Nordeste; riscos à segurança energética e aumento de preços.







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