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Exclusão de pessoas LGBTQIA+ do mercado de trabalho gera perdas de R$ 94 bilhões por ano

por | 12 jun, 2026

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A exclusão de pessoas LGBTQIA+ do mercado de trabalho brasileiro provoca perdas econômicas estimadas em R$ 94,4 bilhões por ano, valor equivalente a cerca de 0,8% do Produto Interno Bruto (PIB) do país. O dado é de um estudo divulgado pelo Banco Mundial, que também calcula prejuízos de R$ 14,6 bilhões anuais em arrecadação e gastos públicos relacionados aos efeitos da discriminação.

Intitulado “O Custo Econômico da Exclusão Baseada em Orientação Sexual, Identidade e Expressão de Gênero e Características Sexuais no Mercado de Trabalho Brasileiro”, o levantamento aponta que pessoas LGBTQIA+ enfrentam maiores dificuldades para acessar e permanecer no mercado profissional.

Segundo a pesquisa, a taxa de desemprego entre integrantes desse grupo chega a 15,2%, praticamente o dobro da média nacional, de 7,7%. Já a taxa de inatividade foi estimada em 37,4%, acima dos 33,4% registrados na população em geral.

O estudo identificou que pessoas trans, não binárias e intersexo estão entre as mais afetadas pela discriminação e pela exclusão no ambiente de trabalho. A pesquisa foi realizada em 2025 e reuniu informações sobre emprego, renda, participação econômica e experiências de preconceito em diferentes regiões do país.

Para o presidente do Instituto Mais Diversidade, Ricardo Sales, os dados demonstram que a discriminação não representa apenas uma questão de direitos humanos, mas também um obstáculo ao desenvolvimento econômico. “Estamos falando de um tema de direitos humanos, mas também de uma questão de desenvolvimento econômico”, afirmou.

Os pesquisadores destacam que o preconceito afeta diretamente a permanência e o crescimento profissional da população LGBTQIA+, reduzindo oportunidades de emprego, renda e ascensão na carreira. Além disso, muitos trabalhadores ocultam sua identidade por receio de discriminação, situação que pode gerar impactos na saúde mental, no sentimento de pertencimento e na produtividade.

As perdas econômicas são mais expressivas entre mulheres lésbicas, bissexuais, trans e intersexo. O estudo estima prejuízo anual de R$ 54,3 bilhões nesse grupo, frente a R$ 40,1 bilhões entre os homens LGBTQIA+.

A pesquisa também aponta que desigualdades relacionadas a gênero, raça e território ampliam os efeitos da exclusão. Entre pessoas trans e travestis, por exemplo, dados citados no relatório indicam que cerca de 70% não concluíram o ensino médio, enquanto apenas 0,02% estão matriculadas no ensino superior.

Produzido em parceria com organizações da sociedade civil, o levantamento defende a ampliação de políticas públicas e ações de inclusão profissional. Entre as recomendações estão o fortalecimento de programas voltados à empregabilidade da população LGBTQIA+, a produção de dados oficiais sobre o tema e a adoção de medidas de combate à discriminação nos ambientes de trabalho.

De acordo com os responsáveis pelo estudo, reduzir barreiras de acesso ao emprego e garantir oportunidades mais igualitárias pode gerar benefícios sociais e econômicos para toda a sociedade, ampliando a produtividade, o consumo e a arrecadação de recursos públicos.

*Com Agência Pública

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