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MP cobra contratação de psiquiatras para PM de Alagoas diante de crise na saúde mental

por | 22 jun, 2025

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A promotora Karla Padilha | Assessoria

O Estado não dá a devida atenção à questão da saúde mental do agente de segurança pública. A afirmação é da responsável pelo controle Externo da Atividade Policial, promotora Karla Padilha, confirmando casos de doença mental, uso de álcool e drogas ilícitas na Polícia Militar de Alagoas.

“As atuações para enfrentamento desse quadro são muito parcas, pontuais e insuficientes”, diz a promotora, avaliando que a situação resulta, entre outros problemas, do excesso de horas trabalhadas, da participação nas forças-tarefas, somadas à sobrecarga do trabalho fora da polícia, o conhecido “bico”.

Definindo como estressante o trabalho do policial militar, a promotora aponta a sobrecarga, com a qual buscam aumentar a renda, como agravante. O resultado é o esgotamento emocional ou psiquiátrico.

Dependendo da tendência e da vulnerabilidade de cada um, a situação é de risco pessoal, para a família e para sociedade. “O policial porta uma arma de fogo. Se vai pra rua sem estrutura emocional adequada, ele pode praticar excessos, e isso é risco pra coletividade”, argumentou Karla Padilha.

Sem o necessário equilíbrio – acrescenta ela – o policial pode abusar da força e praticar atos impensados, gerando violência, ou até a morte de alguém que ele tinha o dever de proteger.

“Tudo isso forma um conjunto perigoso e que pode resultar em esgotamento emocional”, constata a promotora Karla Padilha. Para ela, a quantidade enorme de fatos envolvendo policiais, incluindo na lista os casos de suicídio, mostra a necessidade urgente de profissionais de saúde mental na Polícia Militar.

Diante de um cenário cada vez mais grave, a promotora destaca o pleito do Ministério Público à Justiça, para que o Estado seja obrigado a contratar psiquiatras para a corporação.

Segundo ela, atualmente a PM dispõe de uma única psiquiatra, que não é formalmente da estrutura. A profissional atua sustentada por um parecer da Procuradora Geral do Estado (PGE).

“O último concurso para psiquiatra foi 1992. Então isso só demonstra que isso não é prioridade para o Estado. E lamentavelmente o Judiciário não foi sensível ao pleito do Ministério Público”, lamentou Karla Padilha.

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