
© Valter Campanato/Agência Brasil
O preço do petróleo no mercado internacional disparou na manhã desta segunda-feira (2), primeiro dia útil após a ofensiva militar dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã. O conflito já deixou centenas de mortos, incluindo o líder supremo iraniano, aiatolá Ali Khamenei, além de integrantes do alto escalão do governo.
Pouco depois das 12h, o contrato futuro do petróleo tipo Brent, referência global, era negociado em Londres próximo de US$ 79 o barril, alta de 7,6%, após chegar a superar os 13% e ultrapassar os US$ 80. Já o WTI, negociado em Nova York, era cotado pouco acima de US$ 71, avanço de cerca de 6%.
As negociações ocorrem 24 horas por dia em dias úteis, e as cotações refletem, em tempo real, o humor do mercado diante de cenários de risco.
No Brasil, por volta das 13h, as ações da Petrobras subiam 3,90% na B3, negociadas a R$ 44,39.
Estreito de Ormuz no centro da tensão
Analistas apontam que a disparada do petróleo está diretamente ligada à preocupação com o Estreito de Ormuz, rota marítima estratégica ao sul do Irã que conecta os golfos Pérsico e de Omã. Pelo local passam cerca de 20% da produção mundial de petróleo e gás.
No sábado, primeiro dia dos ataques, houve relatos de centenas de embarcações ancoradas, sem conseguir atravessar o estreito.
O economista Rodolpho Sartori, da Austin Rating, afirmou que o eventual fechamento da rota compromete de forma significativa a oferta global.
“É o principal fator que faz o preço do petróleo explodir. Com o Estreito de Ormuz fechado, a oferta cai muito e, consequentemente, os preços sobem quase que de forma imediata”, explicou.
Segundo ele, a alta expressiva registrada nesta segunda-feira demonstra a volatilidade do mercado em cenários de conflito. “Enquanto a guerra persistir e o estreito permanecer fechado, é esperado que os preços sigam elevados e possam subir ainda mais à medida que os estoques se reduzam”, avaliou.
Logística preocupa mais que produção
Para o gerente de tesouraria do Banco Daycoval, Otávio Oliveira, a preocupação central não é a produção global, mas a logística de transporte.
Ele lembra que a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep+) anunciou no domingo (1º) aumento da produção para garantir oferta.
“A Opep tem capacidade produtiva ociosa suficiente para suprir o Irã, caso o país seja retirado da equação produtiva global”, afirmou.
O desafio, segundo ele, está na travessia pelo Estreito de Ormuz. “É uma rota estreita. Com pouca coisa você consegue fechá-la. Um conflito, então, nem se fala”, destacou.
De acordo com Oliveira, uma interrupção prolongada provocaria desorganização nas cadeias produtivas globais. Mesmo sendo exportador de petróleo, o Brasil poderia sentir impactos por importar derivados, que chegariam mais caros ao país.
Pressão sobre inflação e juros
Caso o conflito se prolongue, a alta do petróleo pode resultar em repasses ao consumidor, pressionando a inflação, alerta Sartori.
Otávio Oliveira acrescenta que o cenário pode influenciar a política monetária. O Comitê de Política Monetária (Copom) já sinalizou intenção de cortar a Selic na reunião de março, mas o movimento pode perder força.
“Existe a possibilidade de o corte vir mais tímido. Talvez 0,25 ponto percentual, em vez de 0,50”, afirmou.
Atualmente, a taxa básica de juros está em 15% ao ano. Juros mais baixos estimulam a atividade econômica e a geração de empregos.
Dólar volta a subir
O dólar também registrou alta nesta segunda-feira, interrompendo a trajetória de queda das últimas semanas. Pouco depois do meio-dia, a moeda era cotada próxima de R$ 5,20, avanço de quase 1%.
Segundo Oliveira, o movimento inicial é típico de “fuga do risco”, quando investidores retiram recursos de mercados emergentes e direcionam para ativos considerados mais seguros, como o dólar e o iene japonês.
“Há venda do real e compra de ativos como o dólar, que se fortalece globalmente”, explicou.
Para Sartori, o comportamento da moeda americana é mais complexo no atual cenário geopolítico. Ele avalia que incertezas envolvendo a gestão do presidente Donald Trump também têm pesado sobre o dólar.
“É natural algum repique nos primeiros dias de conflito, mas não vemos mais o dólar se valorizar de forma abrupta como ocorria em crises anteriores. A tendência é que oscile na faixa entre R$ 5,20 e R$ 5,25”, projetou.
Com Agência Brasil




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