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Segurança pública em xeque: metas do governo Raquel Lyra ficam distantes da realidade, aponta Fogo Cruzado

por | 4 mar, 2026

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Foto: Alê Tibúrcio/Fundarpe

A governadora de Raquel Lyra foi eleita com a segurança pública como principal bandeira de campanha. A promessa de reduzir a violência, no entanto, esbarra em desafios que, segundo análise da sociedade civil, ainda não foram superados.

Em artigo assinado por Ana Maria França, coordenadora regional do Instituto Fogo Cruzado em Pernambuco, os dados mais recentes do Relatório Anual da entidade indicam que as metas estabelecidas pelo governo estadual seguem distantes da realidade.

Em novembro de 2023, o governo lançou o plano “Juntos Pela Segurança”, com a meta de reduzir em 30% as Mortes Violentas Intencionais (MVIs) até 2026. Contudo, a poucos meses do prazo estipulado, os números revelam um cenário preocupante, especialmente na Região Metropolitana do Recife.

De acordo com o levantamento do Fogo Cruzado, 2025 registrou recordes em três indicadores críticos: 16 crianças de 0 a 11 anos baleadas — o maior número desde 2019 —, 132 adolescentes de 12 a 17 anos atingidos por disparos de arma de fogo e 72 vítimas de bala perdida. Este último dado representa um aumento de 49% em relação a 2024 e o maior patamar dos últimos sete anos.

Embora a taxa de MVIs tenha sido de 32,74 por 100 mil habitantes em 2025 — índice celebrado pelo governo como redução — o número ainda está longe da meta de 26,5 estipulada para 2026.

O artigo aponta que a estratégia do governo tem priorizado o aumento do efetivo policial e investimentos em equipamentos. Para a coordenadora, no entanto, os recordes de vítimas demonstram que a lógica do confronto e da ostensividade não tem garantido proteção aos grupos mais vulneráveis.

Entre abril de 2018 e dezembro de 2025, 902 adolescentes foram baleados no Grande Recife, segundo o monitoramento da organização. Desse total, 42% das ocorrências aconteceram durante a atual gestão estadual, sendo que 96% dos casos foram homicídios diretos.

Outro dado destacado é que quase 80% das Mortes Violentas Intencionais foram cometidas com armas de fogo, enquanto o plano estadual não apresenta estratégias específicas para reduzir a circulação desses armamentos.

Em ano eleitoral, a tendência, segundo a análise, é que o governo enfatize investimentos estruturais como sinal de avanço. Entretanto, os indicadores revelam que crianças e adolescentes — público prioritário do próprio plano estadual — continuam expostos à violência, enquanto disputas entre grupos armados e casos de bala perdida evidenciam o agravamento do cenário.

Para Ana Maria França, os dados produzidos pela sociedade civil são fundamentais para que a população compreenda a realidade para além das estatísticas oficiais. “Metas e promessas precisam ser checadas”, reforça a coordenadora, destacando que as informações do Fogo Cruzado permanecem disponíveis para consulta pública.

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