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Semiárido em alerta: Carta da Caatinga leva demandas à COP30

por | 20 set, 2025

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Foto: Divulgação

Durante a III Conferência Internacional sobre Clima, Sustentabilidade e Desenvolvimento do Semiárido (III ICID), realizada de 15 a 19 de setembro no Centro de Eventos do Ceará, organizações, redes, povos e comunidades do Semiárido brasileiro apresentaram a Carta da Sociedade Civil da Caatinga, documento que reúne demandas e propostas voltadas à justiça climática, social e ambiental. O evento também integrou a COP Nordeste, como etapa preparatória da COP30, reforçando a voz dos territórios caatingueiros no debate internacional.

O documento, específico da sociedade civil da Caatinga, enfatiza que a crise climática é vivida diariamente no Semiárido, com desertificação acelerada, perda de biodiversidade, colapso hídrico e êxodo populacional. Segundo os participantes, o modelo econômico atual é predatório e insuficiente, e somente com protagonismo comunitário, agroecologia, economia solidária e governança social será possível enfrentar os desafios climáticos da região.

Entre os principais objetivos apresentados na carta estão:

• Priorizar povos e comunidades tradicionais, mulheres, juventudes, pessoas com deficiência e agricultores familiares;
• Garantir acesso à educação, formação técnica e trabalho digno para jovens;
• Implementar agroecologia e tecnologias sociais de saneamento rural como políticas de estado;
• Assegurar transição energética justa e descentralizada, sem zonas de sacrifício;
• Universalizar segurança hídrica e alimentar, com acesso à água potável e para produção agrícola;
• Desenvolver economia solidária e bioeconomia da Caatinga, com valorização do território e agregação de valor.

O documento também propõe programas e políticas prioritárias à COP30 e aos governos, como o Programa de Proteção e Revitalização da Caatinga (PPR Caatinga), projetos de energia solar comunitária, mecanismos de Pagamento por Serviços Ambientais (PSA), e centros regionais de tecnologias assistivas e assistência técnica para a agricultura familiar.

Foto: Divulgação

No chamado final, as organizações afirmam:

“Este modelo econômico atual não nos serve. O Semiárido não é um território de escassez, mas de abundância de saberes, culturas e possibilidades. Com justiça climática, o que hoje parece vulnerabilidade se transforma em potência.”

A Carta é assinada por dezenas de organizações de todo o Nordeste, incluindo ASPTA (PB), Associação Caatinga Verde (BA), ACODES (AL), MST, SERTA (PE), Universidade do Federal do Cariri entre outras, e reafirma que sem justiça climática no Semiárido, não haverá justiça climática global.

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