O defensor público Ricardo Melro voltou a se reunir com representantes da Secretaria de Estado da Educação (SEDUC), pais de alunos e o Movimento Unificado das Vítimas da Braskem (MUVB) para discutir o destino da Escola Estadual Alberto Torres, conhecida como Escola do Bebedouro, desalojada em razão dos impactos causados pela mineração da Braskem.
Foi constatado por todos os participantes, segundo Melro, que a nova sede da escola foi construída no Benedito Bentes, sem qualquer consulta prévia às comunidades historicamente atendidas, situadas em outra região da cidade. “Esqueceram que governantes são servos do povo, e não seus senhores”, destacou o defensor.
Durante a reunião, houve consenso sobre os principais problemas identificados nas respostas enviadas pela direção da escola: o rompimento dos vínculos e da rede de apoio das crianças e adolescentes, a perda do sentimento de pertencimento, a vulnerabilidade emocional gerada pela transferência forçada, além da descontinuidade do projeto pedagógico e da ruptura dos laços com professores e colegas.
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A própria gestão escolar reconheceu que a distância, o tempo de deslocamento e a dificuldade de acompanhamento da vida escolar são fatores que aumentam o risco de abandono e baixo rendimento. Melro observou que não houve sequer uma análise prévia sobre o tempo de percurso entre as comunidades de origem e o novo endereço, que pode ultrapassar uma hora em horários de trânsito intenso.
O defensor informou que fará pessoalmente o trajeto, nos horários de 12h e 17h30, para documentar a situação com filmagens e testemunhas, a serem anexadas ao acervo probatório.
Outro ponto destacado por Melro é que a Braskem, responsável pela destruição da antiga sede e pelo desalojamento do bairro, não arcou com nenhum custo para aluguel ou construção de novas estruturas escolares. Segundo ele, pelo menos quatro escolas foram afetadas de forma semelhante.
O defensor alertou ainda para o risco real de evasão escolar, como já ocorreu com a Escola Rosalvo Ribeiro após mudança compulsória. Ele observou que a SEDUC não possui dados oficiais sobre esses casos, embora as comunidades afetadas conheçam bem os impactos.
Melro concluiu destacando que a comunidade escolar da Alberto Torres, formada ao longo de décadas, está apreensiva e emocionalmente abalada. O impacto atinge não apenas os alunos, mas também servidores com mais de 20 anos de dedicação à unidade.
“Seguiremos buscando a melhor solução para os alunos”, finalizou o defensor.






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