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Maceió amplia consultas no SUS, mas falha em garantir estrutura e acesso a exames

por | 8 abr, 2026

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Maceió ampliou de forma significativa a oferta de consultas na rede pública de saúde ao longo da última década, mas o avanço não foi acompanhado pela estrutura necessária para garantir atendimento completo à população. Dados do Datasus mostram que os procedimentos clínicos realizados pela gestão municipal cresceram cerca de 60%, saltando de 1,2 milhão em 2015 para 1,97 milhão em 2025.

As informações foram reveladas em reportagem da Agência Tatu, assinada pelos jornalistas Lucas Maia e Thiago Aquino, que detalha os gargalos enfrentados pelos usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) na capital alagoana.

Apesar da ampliação numérica, o acesso efetivo aos serviços continua sendo um desafio. A reportagem identificou problemas que vão desde falhas no sistema de agendamento até a ausência de exames essenciais para diagnóstico.

Um dos principais entraves está no sistema Pronto, utilizado para marcação de exames. Em teste realizado pela Agência Tatu, um usuário não conseguiu concluir o agendamento pelo WhatsApp. A resposta automática do sistema indicava sobrecarga: “O atendimento via WhatsApp está temporariamente indisponível devido ao alto volume de demandas no momento. Nossa equipe está atuando para normalizar o serviço o mais breve possível”.

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Mesmo em nova tentativa, dentro do horário informado, o sistema limitava o acesso: “marcações só são realizadas entre 7h e 15h”, encerrando o atendimento sem permitir o avanço do processo.

A dificuldade digital se soma a obstáculos presenciais. Em unidades básicas de saúde, a limitação no número de atendimentos obriga pacientes a chegar ainda de madrugada. Na UBS do José Tenório, por exemplo, apenas as 15 primeiras pessoas conseguem marcar consulta. Já na UBS João Macário, no bairro Santos Dumont, só é atendido quem está na fila até as 13h — com relatos de espera superior a duas horas.

A situação se agrava com a fragmentação do atendimento. Há casos em que pacientes conseguem marcar apenas parte dos exames solicitados, sem retorno sobre os demais. Quando procuram alternativas, encontram novas barreiras. No Laboratório de Análises Clínicas de Maceió (Laclim), exames hormonais e de vitaminas não vêm sendo realizados desde novembro, por falta de insumos.

Outro problema recorrente é o encaminhamento para laboratórios distantes das residências dos pacientes, dificultando o acesso, especialmente para quem tem ограничения financeiras ou mobilidade reduzida.

Crescimento acelerado, mas desigual

Os números do Datasus indicam que o crescimento da produção ambulatorial ganhou força principalmente a partir de 2022. Em 2024, foram mais de 1,85 milhão de procedimentos clínicos, chegando perto de 2 milhões no ano seguinte.

A expansão coincide com a criação de novos programas de atenção básica e a ampliação de equipamentos públicos de saúde. No entanto, a etapa de exames — essencial para diagnóstico e tratamento — não acompanhou o mesmo ritmo, criando um descompasso dentro da própria rede.

O que diz a Secretaria de Saúde

A Secretaria Municipal de Saúde de Maceió (SMS) reconhece os problemas, mas atribui a situação ao aumento da demanda. Segundo o órgão, não houve interrupção nos serviços de marcação, embora o crescimento no número de solicitações possa gerar instabilidades e maior tempo de espera.

Sobre o sistema Pronto, a pasta afirma que trabalha para normalizar o atendimento de forma progressiva, mas não apresenta prazos. Em relação às UBS, nega a existência de limitação prévia de atendimentos, embora a reportagem tenha constatado essa prática nas unidades visitadas.

A secretaria também confirmou que o Laclim não está realizando exames hormonais, justificando a situação como resultado de “ajustes pontuais no fornecimento de insumos”, sem detalhar as causas.

Por outro lado, informou que o município mantém 31 laboratórios conveniados ao SUS, além da estrutura própria, e que o encaminhamento dos pacientes segue critérios técnicos, considerando disponibilidade, tipo de exame e localização.

Mesmo com promessas de melhorias, a ausência de prazos concretos mantém a população diante de um cenário em que o aumento das consultas não garante, na prática, acesso completo à saúde.

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