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Mais marketing, menos estrutura: hospital veterinário e mudança da SMS evidenciam sucateamento da saúde municipal

por | 7 abr, 2026

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Secom Maceió

A transferência da sede da Secretaria Municipal de Saúde (SMS) de Maceió tem provocado insatisfação entre profissionais da rede e levantado questionamentos sobre a condução administrativa da pasta, comandada pelo secretário Claydson Duarte Silva de Moura, conhecido como Mourinha.

De acordo com relatos de servidores, a mudança foi comunicada de forma abrupta, por meio de mensagem enviada via WhatsApp pelo próprio secretário, sem a realização de reuniões prévias com as áreas técnicas. Eles afirmam que a decisão foi tomada de forma “arbitrária e verticalizada”, sem diálogo com os setores diretamente impactados.

O antigo prédio da SMS, segundo os trabalhadores, é próprio do município e resultado da luta histórica dos profissionais do Sistema Único de Saúde (SUS). A estrutura contava com quatro andares, com cerca de 20 salas por pavimento, além do térreo, que abrigava setores estratégicos como Controle e Avaliação, Departamento da Pessoa com Deficiência, recepção, protocolo, além de salas destinadas à saúde da pessoa idosa e à saúde do homem. O espaço também possuía um auditório com capacidade para 80 pessoas.

Já a nova sede, um prédio antigo em estilo galpão, alugado pela prefeitura, não comporta adequadamente a estrutura anterior. Entre os principais problemas apontados estão a insuficiência de salas, a precariedade da rede elétrica — considerada inadequada para suportar computadores e aparelhos de ar-condicionado — e a ausência de auditório, espaço essencial para atividades de educação permanente, como capacitações voltadas aos profissionais da rede.

Outro ponto de crítica é a falta de estacionamento e a necessidade de compartilhamento de espaços entre diferentes áreas técnicas. Segundo os servidores, essa divisão compromete o funcionamento dos setores, dificulta o planejamento e a execução de políticas específicas de saúde e prejudica o atendimento ao público e aos profissionais das unidades, especialmente no que diz respeito à garantia de sigilo e ao atendimento qualificado.

Os trabalhadores também relatam que foram desalojados de forma precipitada e que o novo espaço não passou pelas adaptações necessárias antes da mudança. A avaliação é de que a situação pode impactar diretamente as ações planejadas para 2026, com risco de alterações, ajustes ou até cancelamento de atividades previstas.

O hospital veterinário não estava previsto no Plano Municipal de Saúde aprovado recentemente pelo Conselho Municipal de Saúde de Maceió. Da mesma forma, a mudança da sede da Secretaria Municipal de Saúde (SMS) não foi discutida nem submetida ao Conselho.

Diante disso, os sindicatos SINDPREV, SASEAL e SINEAL solicitaram a inclusão do tema na pauta do Conselho, a fim de que a questão seja devidamente debatida.

Segundo as entidades, o secretário de Saúde atropelou o Conselho ao impor, de forma abrupta, a mudança da sede da SMS.

Embora não haja oposição à criação de um hospital veterinário, os profissionais criticam a forma como a decisão foi conduzida. Para eles, a gestão municipal demonstra falta de transparência e desrespeito com a política de saúde e com os servidores, ao priorizar a instalação do equipamento em detrimento das condições de funcionamento da SMS. Servidores questionam: se o objetivo era abrir um hospital público veterinário, por que não foi instalado no prédio que hoje abriga a nova SMS, evitando o deslocamento de centenas de funcionários e a transferência de toda a estrutura administrativa da saúde de Maceió e do SUS da capital?

Entre os profissionais, há ainda a avaliação de que a mudança de prédio está ligada a uma estratégia de marketing político do ex-prefeito João Henrique Caldas, o JHC. Para eles, a ação evidencia o sucateamento da saúde municipal e o desprestígio das equipes técnicas, que passaram a trabalhar em condições inadequadas.

O cenário se agrava diante da decisão recente de JHC, que na quinta-feira (2) exonerou todos os cargos em comissão da prefeitura. Diante disso, servidores questionam quem será responsável por conduzir e solucionar os problemas já instalados na Secretaria Municipal de Saúde.

Até o momento, não houve posicionamento oficial detalhado da gestão municipal sobre as críticas apresentadas pelos profissionais.

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