Por Carlos Eduardo Lopes*
O que um dia foi motivo de orgulho para o povo alagoano, hoje representa uma das maiores vergonhas de sua história. A Braskem, após décadas explorando sal-gema no subsolo de Maceió, foi a responsável direta pela destruição de cinco bairros inteiros: Pinheiro, Mutange, Bebedouro, Bom Parto e parte do Farol. Ruas desapareceram, famílias foram removidas à força, templos religiosos vieram ao chão, memórias foram apagadas e territórios profundamente feridos — tudo isso em nome do lucro.
A possível desativação da unidade da Braskem no Pontal da Barra não representa um gesto de reparação ou responsabilidade. Fechar uma unidade é pouco diante da destruição causada. Não compensa os bairros engolidos, nem alivia os traumas de uma população arrancada de suas raízes.
O crime da Braskem em Maceió é uma ferida aberta, um lembrete cruel de como os interesses de uma empresa podem custar a dignidade e a vida de milhares. Justiça vai muito além de indenizações financeiras. Justiça é responsabilizar os culpados, reparar os danos causados, preservar a memória dos territórios destruídos e garantir que uma tragédia como essa nunca mais volte a acontecer.
*Mestre em Antropologia pela Universidade Federal de Alagoas (UFAL).






0 comentários