A Prefeitura de Maceió destinou R$ 5,8 milhões ao Instituto Desenvolve Alagoas (Desenvolv/AL), organização ligada ao vereador Luciano Marinho (PL), aliado do prefeito João Henrique Caldas (JHC). O repasse, publicado no Diário Oficial do Município de 15 de janeiro de 2025, prevê o atendimento de 900 crianças da rede municipal de ensino com atividades “no contraturno escolar”, incluindo ações pedagógicas, esportivas, culturais e de acompanhamento educacional.
O contrato, com vigência de 12 meses, prevê custo médio de R$ 6.467,45 por aluno — valor que desperta questionamentos sobre a transparência e a eficiência na aplicação dos recursos públicos.
A iniciativa, apresentada sob o discurso de “fortalecer o projeto pedagógico” das escolas municipais, na prática aprofundaria a terceirização de responsabilidades da Secretaria Municipal de Educação (Semed). A execução de políticas públicas essenciais por meio de organizações privadas controladas por aliados políticos levanta suspeitas de uso eleitoreiro e clientelista da máquina municipal.
Ministério Público
Enquanto isso, a rede pública de ensino enfrenta uma crise estrutural: denúncias de falta de higiene, estrutura precária, ausência de acessibilidade e carência de transporte escolar. Tanto o Ministério Público Estadual (MPAL) quanto a Defensoria Pública Estadual (DPE) já notificaram a Semed sobre o descaso nas unidades municipais.
A destinação milionária de recursos públicos a um instituto vinculado a um vereador da base governista é vista por analistas como um dos mecanismos de sustentação política de JHC, que teria transformado emendas, cargos e convênios em moeda de troca para manter apoio no Legislativo.
MTST é resistência
Paralelamente, Luciano Marinho vem consolidando um feudo eleitoral na parte alta de Maceió, área onde mantém forte atuação assistencialista e midiática. Nas redes sociais, o vereador tem atacado duramente o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), especialmente a líder Eliane Silva, que organiza famílias em uma ocupação existente há oito anos em terreno federal.
Recentemente, da tribuna da Câmara, Marinho partiu para o ataque pessoal, chamando Eliane de “sem vergonha” e acusando o MTST de “fazer política nojenta que usa as pessoas como massa de manobra”. As declarações foram vistas como um ato de intolerância e desespero político, diante da resistência popular à tentativa de despejo das famílias para dar lugar a uma “praça instagramável”, proposta alinhada à estética de marketing do prefeito.
A relação entre o poder público municipal e entidades privadas sob influência política revela um modelo de gestão que enfraquece o caráter público da educação e transforma direitos sociais em instrumentos de barganha eleitoral.
Em vez de investir na reestruturação das escolas e na valorização dos educadores, a Prefeitura de Maceió entrega a formação de crianças e adolescentes a organizações apadrinhadas por políticos, convertendo a política educacional em negócio e a cidadania em dependência.






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