O engenheiro civil e professor aposentado da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) Abel Galindo voltou a afirmar que a mineração de sal-gema pela Braskem é a causa direta dos afundamentos e rachaduras em bairros de Maceió. Desde 2018, Galindo tem sido uma das principais vozes técnicas sobre o desastre socioambiental, reforçando que os tremores e colapsos do solo, como o da mina 18, têm origem na exploração gananciosa e criminosa da mineradora.
Segundo o professor, a mina 34, assim como a 18, também corre risco de subir à superfície e provocar novas deformações. “À medida que uma mina sobe, ela provoca deformações no solo, causando rachaduras”, alertou Galindo em entrevista ao jornalista Ricardo Rodrigues, da Tribuna Independente.
Em contraponto, a Defesa Civil de Maceió, por meio do coordenador Abelardo Nobre, tem adotado uma postura criticada por moradores e especialistas. Em episódios graves, como o colapso da mina 18, o órgão foi acusado de sonegar informações e minimizar os efeitos do desastre. A justificativa dada por Nobre para as rachaduras no bairro do Bom Parto — atribuídas à “argila expansiva” — foi vista por moradores como um “contorcionismo científico” e não foi aprofundada em resposta direta aos alertas de Galindo.
A Prefeitura de Maceió, responsável pela Defesa Civil municipal, tem sido apontada como uma das barreiras à inclusão de outras áreas afetadas — como Flexais, Rua Marquês de Abrantes e Quebradas, em Bebedouro — no mapa oficial de risco.
O juiz federal André Granja, que vistoriou o bairro do Bom Parto no último dia 22, será o responsável por decidir sobre a permanência ou não dos moradores na área. A expectativa é que o magistrado ouça os estudiosos que vêm se dedicando ao tema e leve em consideração os dados produzidos por instituições científicas. Caso a decisão se baseie exclusivamente nos “estudos” apresentados pela Defesa Civil de Maceió — que têm sido questionados por especialistas —, ela poderá ser considerada contestável do ponto de vista científico.
Um dos principais questionamentos da comunidade científica e de pesquisadores como Abel Galindo, Dilson Ferreira é a ausência de transparência na divulgação de dados técnicos por parte da Defesa Civil. Não foram disponibilizados, por exemplo, os dados de interferometria mensal e acumulada desde 2018, nem os registros de deslocamento horizontal e vertical, inclinação do solo, sonares, qualidade da água subterrânea e outras informações geológicas fundamentais. Esses dados, retidos pelo órgão, são considerados essenciais para uma avaliação técnica rigorosa da situação.
Segundo especialistas, a decisão judicial que definirá o destino das famílias do Bom Parto não pode prescindir de tais informações. O acesso a esses dados e a análise criteriosa por especialistas deveriam ser o ponto de partida para qualquer decisão judicial. Sem isso, corre-se o risco de um julgamento tecnicamente falho, baseado em informações incompletas ou enviesadas.
“Está provado: a causadora das rachaduras e do afundamento do solo no Bom Parto é a mineração da Braskem”, concluiu Galindo.
Braskem se manifesta
Em resposta às declarações do professor Abel Galindo sobre a situação da cavidade 34, a Braskem encaminhou uma nota ao portal 082 Notícias, na qual reafirma o monitoramento constante da área e projeta o início do preenchimento da cavidade para 2026. Abaixo, a íntegra da nota:
“A Braskem informa que realiza, desde 2019, estudos de sonar na cavidade 34 periodicamente. Os dados mais recentes indicam que a cavidade permanece estável, sem tendência de movimentação ascendente.
Conforme atualização do Plano de Fechamento de Mina, bem como o último Relatório Consolidado, referente ao mês de junho de 2025, apresentados à Agência Nacional de Mineração (ANM) e às demais autoridades públicas competentes, o preenchimento da cavidade 34 está previsto para iniciar no primeiro semestre de 2026.”





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