quinta-feira, 04 junho 2026
Nublado
Maceió
26°C
Nublado
Nublado
Maceió
26°C
Nublado

Sururu pode entrar na merenda escolar de Maceió em projeto piloto

por | 13 abr, 2026

ESPALHE A NOTÍCIA
Link copiado para o Instagram!

Assessoria

Uma articulação entre o Ministério Público do Estado de Alagoas (MPAL) e o Ministério Público Federal (MPF) pode levar o sururu produzido por marisqueiras tradicionais à merenda escolar de Maceió. A proposta foi discutida em reunião nesta segunda-feira (13), com participação da Secretaria Municipal de Educação (Semed), associações e cooperativas do setor.

A iniciativa prevê a compra direta do alimento de comunidades tradicionais, com um projeto piloto em cinco escolas da rede municipal, alcançando mais de 2 mil estudantes. A medida busca unir alimentação de qualidade, valorização cultural e incentivo à economia local.

Durante o encontro, foi destacado que a Cooperativa de Marisqueiras Mulheres Guerreiras (Coopmaris) já possui estrutura para beneficiamento do sururu, viabilizada com apoio do Ministério Público do Trabalho (MPT). No entanto, ainda são necessárias adequações sanitárias para que a produção possa ser comercializada com o poder público.

A possibilidade de compartilhamento dessa estrutura com marisqueiras do Benedito Bentes surgiu como alternativa para superar entraves. Atualmente, cerca de 150 trabalhadoras da região produzem aproximadamente 500 latas de sururu por semana, mas enfrentam dificuldades para acessar mercados institucionais.

A realidade dessas marisqueiras reflete um histórico de deslocamento. Mesmo vivendo em um bairro sem acesso direto a lagoas ou rios, elas mantêm a atividade tradicional, organizadas em associação que reúne cerca de 100 integrantes formais e outras centenas de trabalhadoras.

Outro desafio discutido foi a regularização fiscal e documental da cooperativa, etapa essencial para viabilizar contratos com o setor público. Medidas como simplificação tributária e possível isenção de ICMS também estão em análise.

Para a promotora de Justiça Alexandra Beurlen, a proposta amplia o papel da alimentação escolar. “A valorização dos alimentos tradicionais promove saúde, educação e cultura ao mesmo tempo, além de fortalecer a economia local e preservar saberes da identidade alagoana”, afirmou.

Já a coordenadora de Nutrição da Semed, Ana Denise Cotrim, destacou o alinhamento da iniciativa com as diretrizes da alimentação escolar. “A proposta é avançar com responsabilidade, garantindo qualidade nutricional e segurança alimentar, ao mesmo tempo em que valorizamos a cultura alimentar do estado”, disse.

Como próximo passo, a secretaria realizará, no dia 17 de abril, uma formação com merendeiras de cinco escolas, incluindo teste de aceitabilidade do sururu no cardápio. A etapa é considerada decisiva para a inclusão definitiva do produto.

Também está prevista análise laboratorial do alimento pela Universidade Federal de Alagoas (Ufal) e visitas técnicas às áreas de produção. O MPAL e o MPF devem ainda emitir recomendação conjunta para incentivar a compra de produtos da agricultura familiar e de comunidades tradicionais.

Além do impacto social, os dados apresentados indicam potencial econômico. Enquanto a maior venda já registrada pela cooperativa foi de R$ 2,5 mil, o fornecimento regular para escolas pode chegar a cerca de R$ 12 mil mensais.

A iniciativa pode se tornar referência para ampliar a participação de comunidades tradicionais em programas como o PNAE, fortalecendo a geração de renda e a segurança alimentar em Alagoas.

0 comentários

Enviar um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *