Com a inelegibilidade de Jair Bolsonaro até 2030, a elite econômica e política brasileira começa a reorganizar seu projeto de poder. Tarcísio de Freitas, governador de São Paulo, surge como o nome preferido. Ex-ministro de Bolsonaro, militar da reserva e engenheiro, ele representa uma versão mais palatável do bolsonarismo, unindo os interesses do mercado à linguagem institucional.
Sua imagem de gestor técnico agrada à Faria Lima, à mídia corporativa e ao empresariado. Mas sob a aparência moderada, Tarcísio promove uma agenda agressiva de privatizações, com foco em saneamento, transporte e empresas públicas. Caso chegue à presidência, a tendência é recolocar na pauta a venda de estatais como Petrobras, Banco do Brasil, Caixa, BNDES e Banco do Nordeste — retomando e aprofundando o programa neoliberal de Temer e Guedes.
Não há contradição entre liberalismo econômico e autoritarismo político: a história mostra que essa aliança é funcional para impor reformas impopulares. É esse arranjo que muitos definem hoje como neofascismo neoliberal.
Nesse contexto, a chamada “terceira via” tenta se reposicionar como solução de centro-direita, preservando a agenda econômica de Bolsonaro sem sua retórica extremista. Enquanto isso, a imprensa hegemônica relativiza ou silencia os avanços do governo Lula 3 — como a queda da inflação, a redução do desemprego, a retomada e ampliação dos programas sociais e o retorno do Brasil ao cenário internacional como protagonista — criando artificialmente a percepção de um país à deriva.
Tarcísio representa, assim, a tentativa de reciclar o bolsonarismo, mantendo sua essência autoritária e antissocial sob uma nova fachada. O desafio do campo progressista é perceber que o fascismo não foi derrotado — apenas mudou de roupa.






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