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Campanha de Tarcísio para 2026 é cercada por suspeitas de ligação com o PCC

por | 23 set, 2025

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Foto: Eduardo Knapp/Folhapress

As articulações políticas em torno da candidatura de Tarcísio de Freitas (Republicanos) à Presidência da República em 2026 vêm sendo acompanhadas por um noticiário incômodo: suspeitas de que aliados centrais do governador paulista têm ligações com o Primeiro Comando da Capital (PCC).

Segundo reportagem do The Intercept Brasil, Antônio Rueda, presidente do União Brasil e um dos fiadores da candidatura de Tarcísio, foi citado em investigação da Polícia Federal como possível sócio da facção criminosa.

De acordo com denúncia apresentada por um piloto de táxi aéreo, Rueda seria o verdadeiro dono de quatro jatinhos supostamente usados em operações do PCC. As aeronaves estariam registradas em nome de laranjas, mas financiadas por empresários ligados ao crime organizado.

A investigação faz parte da operação Carbono Oculto, que apura a infiltração do PCC em setores da economia formal, como combustíveis e transporte aéreo. Rueda nega qualquer envolvimento.

O piloto relatou ainda ter transportado figuras apontadas como líderes financeiros da facção, entre eles Roberto Augusto Leme da Silva, o “Beto Louco”, e Mohamad Hussein Mourad, conhecido como “Primo”, ambos foragidos.

Em um dos voos, o delator disse ter ouvido que Beto Louco se encontraria com o senador Ciro Nogueira (PP), aliado próximo de Rueda e ex-ministro da Casa Civil. Na ocasião, uma sacola com dinheiro vivo teria sido entregue no gabinete do parlamentar, fato negado por Nogueira.

Registros confirmam a entrada de Beto Louco na Câmara em 2023, mas o Senado recusou-se a detalhar suas visitas, alegando proteção de dados pessoais. Para críticos, a justificativa soa como tentativa de encobrir conexões incômodas.

As suspeitas surgem em meio ao fortalecimento da aliança entre União Brasil e Progressistas. Rueda e Nogueira criaram a Federação União Progressista, bloco que concentra cerca de 20% da Câmara e 16% do Senado, e que já se mobiliza para lançar Tarcísio ao Planalto em 2026.

No último mês, Rueda organizou um jantar em Brasília com líderes da direita e da extrema direita, onde Tarcísio foi apresentado como a principal aposta eleitoral. Nenhum membro da família Bolsonaro foi convidado, sinalizando a tentativa de reposicionar o governador paulista como herdeiro natural do bolsonarismo.

O problema é que, enquanto Tarcísio se projeta como presidenciável, multiplicam-se notícias de que seu entorno tem sido frequentado por personagens ligados ao PCC.

Primeiro, veio à tona que uma empresária investigada por lavagem de dinheiro do PCC e da máfia italiana esteve entre suas principais doadoras de campanha. Depois, revelou-se que um capitão da Polícia Militar, preso por abrir contas bancárias para a facção, atuou em sua segurança em mais de 20 eventos.

Agora, as denúncias contra Rueda e as conexões com Ciro Nogueira reforçam a sombra do crime organizado sobre os bastidores da pré-campanha.

Para analistas políticos, a chamada PEC da Blindagem, aprovada pelo Centrão com apoio de partidos de Rueda e Nogueira, funciona como um movimento de autoproteção em meio ao avanço das investigações.

O The Intercept Brasil ressalta que a pressão sobre o Supremo Tribunal Federal para frear investigações pode crescer na medida em que se aproxime a eleição de 2026.

Com Bolsonaro fora de cena e a direita organizada em torno de Tarcísio, resta a pergunta: até que ponto as conexões do PCC com lideranças partidárias podem influenciar o jogo eleitoral do próximo ciclo presidencial?

Leia a reportagem completa clicando aqui.

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