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Esquerda avança nos EUA e desafia hegemonia do establishment democrata

por | 13 jul, 2026

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A política dos Estados Unidos vive uma reconfiguração que pode alterar os rumos das próximas eleições legislativas e presidenciais. Enquanto Donald Trump mantém forte influência sobre o Partido Republicano e impulsiona o avanço da direita em diferentes partes do mundo, uma corrente identificada com a esquerda amplia espaço dentro do Partido Democrata, conquistando vitórias expressivas em eleições primárias e fortalecendo uma agenda voltada à ampliação de direitos sociais.

Segundo análise publicada pelo blog Outras Palavras, o crescimento dos Socialistas Democráticos da América (DSA) representa o maior avanço da esquerda organizada na política norte-americana nas últimas décadas. O movimento, que ganhou projeção nacional após a candidatura presidencial de Bernie Sanders em 2016, consolidou uma nova geração de lideranças que passou a disputar o comando do partido por dentro, sem romper com a estrutura democrata.

Entre os principais nomes desse campo político estão a deputada Alexandria Ocasio-Cortez, integrante do grupo conhecido como “The Squad”, e o prefeito eleito de Nova York, Zohran Mamdani, cuja campanha foi construída sobre propostas como controle dos aluguéis, fortalecimento do sistema público de saúde, redução das tarifas do transporte coletivo e defesa dos direitos dos trabalhadores migrantes.

A expansão da esquerda também aparece nos números. De acordo com a publicação, o DSA passou de menos de seis mil integrantes, em 2015, para cerca de 100 mil filiados em 2026, além de reunir mais de 250 representantes eleitos em dezenas de estados norte-americanos. O avanço deixou de ser um fenômeno restrito a cidades como Nova York e alcançou estados tradicionalmente menos associados ao campo progressista, como Texas e Missouri.

A nova base eleitoral reúne principalmente jovens, trabalhadores e setores da classe média afetados pelo aumento do custo de vida, pela precarização do mercado de trabalho e pelas consequências econômicas da pandemia. Para esse segmento, pautas como saúde pública, moradia acessível, distribuição de renda e proteção social passaram a ocupar posição central no debate político.

O fortalecimento desse grupo também amplia as tensões internas no Partido Democrata. A ala mais progressista confronta lideranças tradicionais ligadas ao establishment político, defendendo mudanças mais profundas na agenda econômica e social e criticando a proximidade da cúpula partidária com grandes interesses corporativos.

Na avaliação apresentada pelo Outras Palavras, esse crescimento tornou-se um dos principais desafios para Donald Trump. O presidente passou a intensificar o discurso de polarização, classificando os socialistas como uma ameaça aos valores tradicionais dos Estados Unidos e utilizando a expansão da esquerda como eixo central de sua estratégia eleitoral para mobilizar a base conservadora.

O cenário indica que a disputa política norte-americana tende a se tornar ainda mais polarizada nos próximos anos, não apenas entre republicanos e democratas, mas também dentro do próprio Partido Democrata, onde o avanço da esquerda pressiona por uma redefinição das prioridades e do futuro da principal legenda de oposição ao governo Trump.

*Com o blog Outras Palavras

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