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Governo Bolsonaro (2019–2022): período mais sombrio da democracia brasileira

por | 29 ago, 2025

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Jair Bolsonaro | Reprodução

Por Geraldo de Majella*

A redemocratização do Brasil em 1985, após duas décadas de ditadura militar (1964-1985), abriu caminho para quarenta anos de funcionamento regular das instituições democráticas, com o Congresso Nacional atuando sem risco real de ser fechado. No entanto, o período entre 2019 e 2022, durante o governo de Jair Bolsonaro, marcou o momento mais sombrio dessa trajetória.

Pela primeira vez desde a redemocratização, a extrema-direita chegou ao poder com um discurso que apontava para rupturas com a ordem democrática consagrada pela Constituição, em 1988. Bolsonaro utilizou de forma intensa as redes sociais para amplificar mensagens de ódio, promover a radicalização política, fazer apologia à violência e se utilizando de discursos de cunho religioso. Essa estratégia alimentou ressentimentos em setores da sociedade e resultou em ataques sistemáticos ao próprio sistema institucional.

Durante seu governo, elementos típicos do fascismo, até então pouco expressivos no Brasil pós-ditadura, ganharam visibilidade e respaldo público. A tortura e seus agentes foram elevados à condição de “personalidades”, e uma base fascista emergiu com intensidade inédita na história republicana. O fascismo mostrou que tem rosto, está vivo e, embora algumas de suas características tenham se adaptado ao presente, sua essência permanece inalterada.

Características do período
1. Nacionalismo convertido em entreguismo: apropriação de símbolos nacionais com subserviência aos Estados Unidos, renunciando à soberania.
2. Culto ao líder: Bolsonaro apresentado como infalível e salvador da pátria, sobrepondo-se às instituições.
3. Autoritarismo: ataques ao Judiciário, à imprensa e tentativa de centralização do poder.
4. Militarismo e violência política: ocupação de cargos civis por militares, estímulo a milícias e naturalização da violência.
5. Anticomunismo e antissocialismo: perseguição simbólica a partidos de esquerda, sindicatos, intelectuais e lideranças populares.
6. Propaganda e manipulação das massas: disseminação massiva de fake news e slogans simplificadores nas redes sociais.
7. Mobilização total da sociedade: tentativa de impor visão única sobre educação, cultura e costumes, sufocando a pluralidade.
8. Economia: defesa intransigente da propriedade privada, enfraquecimento de políticas públicas e privatizações.
9. Guerra cultural: criminalização simbólica de intelectuais, professores, universidades públicas, artistas e negacionismo científico.
10. Ataques ao Poder Judiciário: alvo constante de deslegitimação interna e externa.

Mesmo sem fechar o Congresso, o governo Bolsonaro tensionou permanentemente os limites institucionais, normalizou práticas autoritárias e cultivou uma cultura política baseada na intolerância e no ódio. Esse período evidencia que a democracia depende não apenas de eleições e instituições, mas da vitalidade da sociedade civil e da defesa contínua de valores republicanos.

O fascismo, como ideologia, potencializado pelas redes digitais e pelos discursos populistas do século XXI, demonstrou que continua sendo uma ameaça real, capaz de corroer os pilares da vida democrática. Por isso, todo cuidado é pouco.

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