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Guido Mantega: Lula desmontou estratégia do Banco Central que buscava travar o governo

por | 22 set, 2025

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Reprodução

O ex-ministro da Fazenda Guido Mantega declarou, em entrevista ao Boa Noite 247, que o governo Lula conseguiu “desmontar” uma estratégia de política monetária que buscava limitar sua atuação.

Para Mantega, desde o início deste ano houve uma guinada na condução do câmbio e da taxa de juros, o que teria retirado o governo da pressão imposta pela gestão anterior do Banco Central. “Olha, eu tô feliz porque finalmente o governo conseguiu desmontar aquela trama que foi criada pelo Roberto Campos, para paralisar o governo Lula”, afirmou.

Na visão do ex-ministro, a prioridade em estabilizar o câmbio foi determinante para aliviar a inflação de alimentos e melhorar o humor do consumidor. “A variável importante é o câmbio”, ressaltou. Ele destacou que o controle do dólar abriu espaço para um processo de normalização gradual da taxa de juros: “A estratégia foi, bom, a primeira coisa que nós precisamos fazer é baixar esse dólar aqui”.

Ao avaliar o papel do atual presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, Mantega rebateu críticas de que não haveria mudanças em relação ao período anterior. “Não dá para dizer que o Banco Central tá fazendo a mesma política [de antes]. (…) O Galípolo passou a intervir e, evidentemente, ele passou a combater o principal problema que nós tínhamos… uma inflação de alimentos causada em grande parte pelo câmbio”, explicou. Para ele, a manutenção temporária de juros altos funcionou como uma ponte para assegurar fluxo de capitais. “Se tem alguém aqui que é inimigo de juro alto, sou eu… mas agora vai ser consertada porque se criaram as condições”.

Outro ponto enfatizado por Mantega foi o que chamou de “terrorismo fiscal”. Para ele, declarações que apostavam em descontrole das contas públicas e alta de juros alimentaram instabilidade no câmbio no primeiro semestre. Esse cenário, entretanto, começou a se reverter com maior firmeza da autoridade monetária, o que alterou a posição dos agentes financeiros. “Hoje a situação é: o pessoal tá vendido em dólar, tá se desfazendo do dólar e comprando reais. Essa foi a grande jogada”, avaliou.

A queda recente nos preços dos alimentos, citada por consumidores, também foi relacionada pelo ex-ministro à valorização do real. Para ele, a combinação entre câmbio mais estável e comunicação assertiva do governo resultou em melhora da percepção econômica junto à população.

Sobre a viagem de Lula à Assembleia-Geral da ONU, Mantega destacou a expectativa de um discurso duro contra restrições impostas pelos Estados Unidos. “Sem dúvida, o presidente vai fazer uma fala forte”, disse, ao avaliar as possíveis reações de Washington. Ele lembrou que, mesmo diante das pressões do governo de Donald Trump, o Brasil ampliou mercados e fortaleceu vínculos com o Brics, o que reduziu o impacto de medidas unilaterais.

Entre os riscos apontados, mencionou eventuais barreiras à importação de diesel da Rússia, mas avaliou que a economia brasileira se mostra mais resiliente. “A nossa economia gerida pelo Haddad com o Lula, ela se aguenta? (…) Eu acho que ele [Trump] tá numa fase ruim… não tá conseguindo alcançar os seus objetivos”, analisou, acrescentando que ajustes tarifários no exterior indicam limitações nessa ofensiva.

Mantega ainda associou a queda da inflação de alimentos a uma melhora perceptível na vida cotidiana das famílias, com alívio no orçamento doméstico e recomposição do poder de compra. Ele acredita que, se essa tendência continuar, haverá condições para cortes graduais nos juros, favorecendo emprego e renda.

Ao final, resumiu a importância de Lula reafirmar a soberania do país no palco internacional: “O Brasil é um país soberano, não vai aceitar essas provocações, essa chantagem que é feita pelos Estados Unidos”.

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