A aliança entre Donald Trump e Elon Musk, que simbolizou a união entre poder político e influência tecnológica, chegou ao fim da forma mais barulhenta possível: com ofensas públicas, acusações pesadas e reações em cadeia nos bastidores de Washington e no mercado financeiro.
Durante todo o dia de ontem, 5, o presidente dos Estados Unidos e o bilionário sul-africano protagonizaram uma batalha de postagens em suas redes sociais — Trump no Truth Social e Musk no X (antigo Twitter). O que se viu foi um espetáculo de acusações mútuas: desde favorecimento com dinheiro público até envolvimento em escândalos sexuais, em uma ruptura política que já é considerada uma das mais ruidosas da década.
O estopim da crise foi o projeto de lei aprovado pela Câmara dos Deputados, proposto por Trump, que prevê cortes expressivos de impostos — sobretudo para os mais ricos — e uma elevação significativa dos gastos públicos, o que, segundo projeções, deve aumentar o déficit federal em US$ 2,4 trilhões na próxima década. Musk, que havia deixado seu posto no governo na semana passada, passou a criticar abertamente o pacote fiscal.
Trump, por sua vez, retrucou dizendo que Musk conhecia o conteúdo da proposta e que sua irritação se devia à redução dos subsídios federais para carros elétricos, diretamente prejudicando a Tesla. O empresário respondeu com ainda mais contundência: afirmou que Trump só se elegeu graças ao seu apoio, acusou o presidente de ligações com Jeffrey Epstein e chegou a defender seu impeachment.
A troca de ataques mobilizou também aliados do governo. Steve Bannon, figura central do trumpismo, afirmou ter aconselhado o presidente a investigar a situação migratória de Musk, que nasceu na África do Sul, e chegou a sugerir sua deportação imediata.
As repercussões se estenderam para além do ambiente político. Na bolsa de valores, a Tesla amargou sua pior queda em um único dia: 14,26%. Analistas apontam que a instabilidade política e a imagem desgastada de Musk contribuíram para a derrocada. A Casa Branca também sinalizou retaliações: Trump ameaçou suspender todos os contratos federais com as empresas do bilionário.
Enquanto a opinião pública se dividia entre os lados do embate, o secretário de Estado, Marco Rubio, anunciou novas sanções internacionais. Quatro juízas do Tribunal Penal Internacional (TPI) foram alvo de medidas punitivas por supostas ações “ilegítimas” contra Israel e os Estados Unidos. A Corte, que não é reconhecida por Washington, investiga crimes de guerra cometidos por militares americanos no Afeganistão e emitiu recentemente mandados de prisão contra autoridades israelenses devido à ofensiva em Gaza.
Em nota oficial, o TPI repudiou as sanções e classificou o ato como uma tentativa de minar sua independência.
A briga entre Musk e Trump, longe de ser apenas um conflito pessoal, escancara as fissuras dentro da elite política e empresarial dos EUA — e deixa no ar uma pergunta: até onde irão as consequências desse divórcio explosivo?





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