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Burnout avança entre profissionais da saúde e acende alerta sobre sinais de esgotamento

por | 15 set, 2026

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Jornadas prolongadas, pressão constante, contato com situações de sofrimento e a responsabilidade de cuidar da vida de outras pessoas colocam profissionais da saúde entre os trabalhadores expostos a situações de intenso desgaste.

Quando esse cenário se mantém por longos períodos, sem descanso e suporte adequados, o cansaço pode evoluir para burnout, uma condição relacionada ao contexto de trabalho.

Entre os principais sinais de alerta estão exaustão persistente, irritabilidade, dificuldade de concentração, alterações no sono, perda de motivação e distanciamento emocional.

Para o enfermeiro e doutor em Sociedade, Tecnologias e Políticas Públicas Wbiratan de Lima Souza, reconhecer esses sinais exige olhar não apenas para o trabalhador, mas também para o ambiente profissional.

“Quem cuida de todo mundo também precisa ser cuidado”, afirma o especialista, ao destacar que profissionais da saúde também estão sujeitos a estresse, ansiedade, cansaço e sofrimento.

O tema ganhou relevância com a atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que passou a contemplar expressamente os fatores de riscos psicossociais relacionados ao trabalho dentro do Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO).

A mudança amplia a responsabilidade das organizações na identificação e prevenção de situações que possam contribuir para o adoecimento mental dos trabalhadores.

Segundo Wbiratan, saúde mental não deve ser tratada exclusivamente como uma questão individual.

“Se existe uma organização do trabalho que favorece o adoecimento, é preciso identificar esse risco, compreender suas causas e construir medidas de prevenção”, explica.

Na área da saúde, profissionais como enfermeiros, técnicos de enfermagem e médicos convivem diariamente com emergências, perdas, sofrimento humano e decisões que podem ter consequências importantes para os pacientes.

Por isso, o especialista defende que a prevenção comece antes que o trabalhador chegue ao limite.

O burnout pode apresentar manifestações físicas, emocionais e comportamentais e afetar tanto o desempenho profissional quanto a vida pessoal.

Um dia de cansaço após uma jornada pesada não significa necessariamente burnout. O sinal de alerta aparece quando o trabalhador não consegue mais se recuperar, perde a motivação e percebe alterações emocionais ou dificuldades para trabalhar e se relacionar.

Para Wbiratan, instituições devem observar fatores como organização das jornadas, condições de trabalho, possibilidade de descanso, suporte e segurança para o exercício das atividades.

“Quando cuidamos de quem cuida, também estamos cuidando do paciente”, ressalta.

A identificação precoce dos sinais e a busca por apoio profissional podem ajudar a evitar o agravamento do quadro e seus impactos sobre a saúde e a carreira.

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