O historiador João Claudio Pitilo, pesquisador da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), relacionou o avanço de movimentos de extrema direita no cenário internacional à crise do modelo liberal. A avaliação foi feita durante entrevista ao programa BdF Entrevista, do Brasil de Fato. ([Brasil de Fato][1])
Ao analisar a origem do nazifascismo na Europa, Pitilo destacou fatores políticos, econômicos e sociais que marcaram o período entre as duas guerras mundiais. Segundo ele, o ressentimento provocado pelas condições impostas à Alemanha após a Primeira Guerra Mundial, somado ao desemprego e à deterioração das condições sociais, contribuiu para a expansão do fascismo.
O historiador também afirmou que Estados Unidos, França e Reino Unido tiveram responsabilidade indireta no fortalecimento dos movimentos fascistas ao tolerarem seu crescimento como forma de conter o avanço do socialismo soviético. Essa é uma interpretação apresentada pelo pesquisador na entrevista.
Ao fazer uma comparação com o cenário contemporâneo, Pitilo citou o governo de Donald Trump, nos Estados Unidos, e o partido alemão AfD como exemplos do crescimento da direita radical. Na avaliação dele, fatores como a crise do neoliberalismo, o aumento dos custos de energia e a desindustrialização na Alemanha contribuíram para criar um ambiente explorado por esses movimentos.
“O renascimento do fascismo em vários lugares do planeta prova a crise dessa sociedade liberal”, afirmou o historiador.
Pitilo também abordou as mudanças na ordem internacional e apontou o Brics como parte da formação de um cenário mais multipolar. Segundo ele, a aproximação entre países do bloco, especialmente a parceria estratégica com a China, tem ampliado alternativas aos mecanismos financeiros e comerciais tradicionalmente concentrados nas potências ocidentais.
“Nós estamos vendo o Brics forjar um polo multipolar alternativo que está em estágio de organização”, declarou.







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