Por Eleonora Duse de Pontes Leite*
Na última quinta-feira, 5 de junho de 2025, assisti ao jogo entre Brasil e Equador — oficialmente tratado por mim como um “treino”, porque nos primeiros minutos nada ali fazia despertar verdadeiro interesse. Poucas jogadas sem presunção, poucas atitudes em campo. Valia vaga, é verdade, mas o que se viu foi um jogo morno, burocrático, reflexo talvez do momento atual da Seleção.
Com um novo técnico no comando — e depois de tantos que já passaram pelo banco brasileiro — muitos desafios terão que ser retomados. Técnico nenhum faz milagre. O sr. Carlo Ancelotti, que assumiu a Seleção na 15ª rodada das Eliminatórias para a Copa do Mundo, pareceu carregar o peso do momento: marcou seu chiclete durante todo o tempo à beira do campo. Acredito que, talvez, para aliviar seus “ais” interiores diante do que via em campo.
E ali, sob as luzes do estádio moderno, não pude deixar de refletir sobre o caminho que o nosso futebol tem percorrido — e sobre o que temos perdido ao longo dessa trajetória.
A bola continua redonda. Os gramados, perfeitos. As chuteiras, leves. Mas o espírito do jogo, aquele improviso que encantava o mundo, tornou-se cada vez mais raro. Ainda temos craques, como Vini Jr., mas o futebol brasileiro se tornou também um produto global — e parte de sua alma se diluiu.
Antigamente, meninos sonhavam ser Pelé, Garrincha, Zico. Jogavam nas ruas até o anoitecer, com bolas de meia, por pura paixão. Hoje, o sonho é outro. É um projeto de sobrevivência: usar o futebol para mudar o destino da família. Não é só o gol que encanta — é o que ele pode comprar.
Quem os culpa? Nossos talentos partem cedo para o exterior porque aqui, por muito tempo, o reconhecimento foi escasso. Lá fora, o vil metal oferece estabilidade e dignidade.
Mas isso cobra um preço. Ao ensinar o mundo a driblar como nós, entregamos também um pouco de nossa identidade. E por aqui, vemos meninos apostando tudo na bola — e deixando os estudos de lado. Quantos terminam o ensino médio? Quantos pensam em universidade?
O Brasil segue em crise na educação. E quando o futebol vira a única esperança, reforçamos um ciclo perigoso. É urgente mudar essa mentalidade. Formar jogadores, sim — mas, acima de tudo, formar cidadãos.
O futebol ainda pode nos emocionar. Mas o país precisa oferecer sonhos mais amplos aos seus jovens. Porque a bola, sim, continua redonda. Mas o futuro exige muito mais que um bom drible.
*Graduanda em Jornalismo





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