A campanha Julho Amarelo chama a atenção para a prevenção e o diagnóstico precoce das hepatites virais, doenças que podem evoluir por anos sem apresentar sintomas e provocar complicações graves, como cirrose, insuficiência hepática e câncer de fígado. Especialistas destacam que a testagem, a vacinação e o tratamento disponível pelo Sistema Único de Saúde (SUS) são fundamentais para reduzir os casos e evitar a transmissão.
De acordo com a sanitarista e professora da Afya Maceió, Flávia Melro, as hepatites B e C exigem atenção especial por causa da evolução silenciosa da infecção.
“O fígado tem grande capacidade de compensação. Quando os sintomas surgem, muitas vezes já existe um comprometimento importante do órgão, o que aumenta o risco de complicações e favorece a transmissão por pessoas que desconhecem a infecção”, explica.
As hepatites B e C concentram hoje a maior preocupação epidemiológica no país por causa do risco de cronificação. Já as hepatites A e E estão, em geral, relacionadas ao consumo de água e alimentos contaminados, enquanto a hepatite D ocorre apenas em pessoas infectadas pelo vírus da hepatite B.
A prevenção inclui medidas como manter a vacinação atualizada, usar preservativos nas relações sexuais, evitar o compartilhamento de objetos que possam ter contato com sangue e garantir que instrumentos utilizados em procedimentos como tatuagens e colocação de piercings sejam esterilizados. Cuidados com higiene, acesso à água tratada e saneamento básico também ajudam a reduzir os riscos.
A recomendação é que toda pessoa adulta realize, ao menos uma vez na vida, os testes para hepatites B e C. O exame também é indicado para gestantes, profissionais da saúde, pessoas vivendo com HIV e indivíduos com fatores de risco para infecção.
Disponíveis gratuitamente na rede pública de saúde, os testes rápidos permitem identificar precocemente a doença e iniciar o tratamento. Atualmente, a hepatite C apresenta taxas de cura superiores a 95% quando tratada de forma adequada, enquanto a hepatite B pode ser controlada com medicamentos que reduzem a progressão da doença.
Embora muitas vezes sejam assintomáticas, as hepatites podem causar, em fases mais avançadas, sinais como pele e olhos amarelados, urina escura, fezes claras, cansaço intenso, dor abdominal e aumento do volume da barriga. Nesses casos, a orientação é procurar atendimento médico.
Para Flávia Melro, ampliar o acesso à informação e incentivar a testagem são medidas essenciais para o enfrentamento da doença.
“O diagnóstico precoce salva vidas, interrompe a transmissão e aumenta as chances de sucesso no tratamento. Informação, prevenção e acesso aos serviços de saúde são as principais ferramentas para eliminar essas doenças como problema de saúde pública”, conclui.





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